Alô, Chics!

Curtindo São Paulo

Nas fotos: o músico Thiago Pethit (por Carol Bittencourt) e a fachada da loja UMA com intervenção artística de Regina Silveira

 

Alô, Chics,

O último dia do verão 2010 em São Paulo (20.03) foi perfeito: céu azul, nenhum sinal de chuva, temperatura civilizada e trânsito amigável. A cidade, repleta de acontecimentos, fervia nos bairros/celebrity: os Jardins, Pinheiros, Vila Madalena. Fui fazer as unhas pela manhã e depois sai para umas visitas ouvindo dois CDs ótimos que recomendo total: Chopin, The Nocturnes com Nelson Freire ao piano e Berlim, Texas de Thiago Pethit, o novo cantor-sensação que seduz imediatamente após os primeiros acordes (e olhem que eu estava implicando com ele só por causa do H no Pethit!).

Primeira parada: Loja da UMA na rua Girassol. Uma das mais bonitas lojas da cidade (projeto de Marcio Kogan) mostrava a chegada da sua coleção de inverno e a nova fachada com intervenção da artista plástica Regina Silveira. Sou fã desta artista e tenho acompanhado suas exposições e trabalhos há muitos anos. Regina vê o mundo em perspectivas gigantescas e cria seus trabalhos a partir de projeções de sombras. Para a UMA ela pintou a fachada (e algumas das malhas da coleção) com rastros de pneus entrecruzados. Encontro com Fernanda Young, linda, de cabeça raspada como a conheci há muitos anos.

Segunda parada: Loja da Fernanda Yamamoto na rua Aspicuelta. Outra loja que chama a atenção pela arquitetura (projeto de Mauricio Xavier) e pela boa seleção de marcas jovens e modernas, além das roupas criadas pela própria Fernanda. Bijuterias interessantes e espertas ladeiam araras suspensas com roupas de estilistas curitibanos, brasilienses, uruguaios, cariocas, paulistanos. Uma passagem obrigatória para se tomar o pulso do rumo que os nomes que estão chegando ao mundo da moda apontam.

Terceira parada: Uma casa enorme e abandonada no Jardim Europa. Nem o telefone nem a campainha funcionam; recorro a um vigoroso bater de palmas. A porta da frente se abre e de dentro sai uma figura vestida de vermelho-fogo, a mesma cor dos longos cabelos cacheados da dona, Silvia Lucchi, designer de chapéus, que trabalhou comigo nos tempos da Fiorucci e um dia foi viver na Holanda. De volta ao Brasil ela se prepara para uma super exposição de suas criações  a convite de Renata Mellão e que vai acontecer ainda este semestre. Isso se ela conseguir decidir quais os modelos desenhados e fabricados nos últimos 20 anos devem fazer parte da mostra. No chão, centenas deles se empilham; são feitos de palha, feltro, tecidos estampados, lã, plumas, fitas. Os olhos azuis, sorridentes e brilhantes da designer se divertem e indagam: Como escolher os melhores? Não sei nem ajudar. Dou beijos, desejo boa sorte e me conformo em ver o resultado quando a exposição abrir.

Gloria Kalil

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