Alô, Chics!

H&M no Chile? Quem diria...

Alô Chics!

Entre 2006 e 2008, realizei aqui em São Paulo o Fashion Marketing, uma série de seminários visando discutir o mercado de moda no Brasil. Muitos de vocês devem se lembrar disso, pois foi um acontecimento importante e novo que até hoje rende pedidos de continuidade.

Parei de fazê-lo por várias razões, sendo que uma delas era a dificuldade de trazer os estilistas, diretores ou executivos de marcas estrangeiras para vir fazer palestras para o público brasileiro. Éramos um país que não interessava a ninguém: não tínhamos uma classe média comprante, não tínhamos dinheiro – em resumo, eramos um zero à esquerda na economia internacional.

Veio a crise americana em outubro de 2008, os Estados Unidos e a Europa se encrencaram e, já no final de 2009, deixamos de ser o patinho feio para nos tornarmos a bola da vez. Passamos a crescer, o mercado interno aumentou e, de uma hora para outra, todas as marcas que nos esnobavam vieram rondar nossas portas e bajular nosso mercado.

Para ilustrar esse relato, uma pequena história: depois de ter trazido o espertíssimo diretor da Zara para falar no primeiro seminário de 2006, achei que seria interessante trazer alguém da H&M no ano seguinte, para saber quando - e se - um dia trariam sua operação para o Brasil.

Depois de meses de impossibilidades em falar com um dos donos da marca (até o embaixador do Brasil procurou ajudar, tentando um contato através da embaixada em Estocolmo), recebemos o seguinte recado: “Não vamos porque não temos interesse naquele hemisfério”!

Pode uma coisa dessas? Pois nada como um ano após o outro, não é mesmo?

Agora, eles estão com o crescimento prejudicado por uma Europa combalida na sua economia e lá vêm eles bater à porta do nosso hemisfério via Chile. Pois que venham e sejam bem-vindos. Nós não temos preconceitos com hemisfério nenhum!

Gloria Kalil

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