Beleza
As mortes de Alexandre Herchcovitch
Vitória Guimarães | 21.01.2010 em SPFW

Foram cinco horas de preparação, 20 profissionais e 32 modelos dispostos a perder o cabelo por um desfile. O backstage da coleção masculina de Alexandre Herchcovitch em nada lembrava um camarim só para homens, geralmente com no máximo três produtos de correção e um secador.
Em vez disso, air brush, tintas, muitos pincéis e máquinas de raspar o cabelo – um dos meninos, que tinha os fios longos, chegou a derrubar algumas lágrimas, mas topou ficar careca para a passarela – para reproduzir caveiras nos rostos dos modelos. A referência era o filme O sétimo selo, de Ingmar Bergman. “Eu já tinha feito muitas maquiagens complicadas, mas esse trabalho superou todos. Estou muito orgulhoso”, contou um cansado, porém emocionado Celso Kamura, logo após a apresentação, quando a imprensa foi liberada para entrar nos bastidores.
“As pessoas têm uma mania de olhar só pra fora. Falam das roupas e maquiagens elaboradas do Galliano encantadas. Bullshit. Nós temos o Alexandre aqui”, comentou Lula Rodrigues, jornalista especializado em moda masculina.
Desfile finito, depois dos aplausos é hora de tirar a máscara. Dois potes de cera para remover maquiagem + um balde de lencinhos umedecidos. Modelo limpando a nova careca do colega e disputa em frente ao espelho para alcançar todos os cantos.
“Vou assim mesmo pra casa, prefiro limpar com calma”, contou Gui Carotti. E como foi o caminho de volta? Por telefone, Gui contou que a caminhada de meia hora teve direito a comentários do tipo “ai que medo” e “por que você fez isso?”. “O pior foram as criancinhas fazendo cara de choro”, comentou ele, que quando chegou no condomínio que mora, ganhou um elogio do segurança: “tá bonito, hein?”.
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