Gayegos
Rendas & Babados: traças brasileiras reclamam da dieta de poliéster-e-náilon e pedem sabores europeus!!!
José Gayegos (@GAYEGOS) | 16.05.2013

Vingança e perdão
Inteiramente só em seu castigo, agora parecendo eterno, o existencial-genial John Galliano teve o convite para dar palestras na Parsons School of Fashion cancelado. Ao contrário de Mel Gibson, execrado por seus comentários antissemitas e depois perdoado, Galliano parece que será assíduo frequentador da fila do seeking for job. Provando que estão mais interessados em prisão perpétua do que perdão eterno, um grupo de alunos pressionou a escola para que desconvidasse o brilhante estilista. Esses estudantes perderam duas oportunidades: aprimorar seus conhecimentos e mostrar que remissão é sempre melhor que vingança.
Lojas e vitrinas
Giorgio Armani, o estilista que está sempre duas estações à frente dos seus colegas italianos com suas atemporais e belas criações, afirmou que, quando chega a Nova York, vai imediatamente olhar as vitrines da Bergdorf & Goodman (loja de departamentos que faz as concorrentes parecerem uma Target com mais andares e mais frescuras). Ninguém imagina o que Armani diria se viesse à São Paulo. Como não há esse tipo de loja na cidade e muito menos vitrines inspiradoras, só lhe restaria, como consolo, olhar para carnes girando atrás de um vidro de alguma churrascaria que ostentasse, na fachada, uma placa esclarecendo ter “a melhor carne argentina do Brasil”.
Opiniões e penteado
Suzy Menkes afirmou, em entrevista ao WWD, que não aceita convites, como o do “generoso” Valentino, para passear em seu iate. Prefere ser livre para criticar o que quiser e acrescenta um sintomático: “como deveria ser”. Esse é um comportamento totalmente desconhecido pelas editoras brasileiras, acostumadas a ter sempre a malinha preparada para algum jabá-tour que surja de improviso. Igualmente, dá espetadas irônicas nas grandes casas de moda e em Anna Wintour. Adiante, justifica seu penteado-aloprado, assegurando que é para “facilitar a escrita”, deixando perplexos todos aqueles que sabem usar um pente e uma escova. Dear Suzy é sempre um refresco-no-texto e uma jornalista com muito repertório e cultura de moda, raridade no mundo editorial, tanto no hemisfério certo como no errado.
Catherine e Miuccia
Nem bem a moda estava olhando para os anos 1990 e a estreia do filme O Grande Gatsby já está mudando as inspirações para os anos 1920. Com costumes criados por Catherine Martin e Madame Prada, a decana do ugly is ugly, pode-se imaginar que teremos muita fantasia e pouco figurino de época. Catherine não foi, não é e nunca será um Cecil Beaton ou Edith Head, portanto essa parceria com Miuccia não só foi perfeitamente compreensível, como indispensável, afinal, onde mais poderiam ser feitos bordados com aspecto carnavalesco e costuras que dão sempre a impressão de terem sido executadas por senhoras que tomaram soníferos durante o trabalho?
Aflição e revolta
As traças brasileiras vivem aflitas e frustradas. Muito vorazes em seu apetite, andam indignadas com a má qualidade dos produtos de moda que lotam os estoques, reclamando do poliéster-e-náilon, puros ou misturados, todos com paladares chineses. Não habituadas a esses exotismos orientais, reclamam, saudosas, dos sabores italianos e franceses que antes acompanhavam os godês das saias e as transparências das musselines.
Frase fraseada: "Dinheiro ajuda a tomar café na cama. Estilo ajuda a descer uma escada," Diana Vreeland.
Rendas & Babados: punk brasileiro, inglês e norte-americano
Redação | 08.05.2013

Lobobão de plantão
João Luiz Woerdenbag Sohn, também identificável como Lobão, uma espécie de Jair Bolsonaro com mais livros na prateleira, escreveu um opúsculo que despertou os piores instintos nos democratas-autocratas da caverna habitada pelos defensores da liberdade de expressão (desde que, é claro, seja a deles...). Não se entende o porque de tanto alvoroço, afinal, trata-se apenas de uma imitação de Mexericos da Candinha em versão longa, tediosa e rancorosa. Uma armadilha para apanhar incautos que queiram deixar alguns trocados a mais na conta bancária do cantor-compositor-escritor-apresentador ressentido. Os mais astutos já perceberam que não é preciso comprar o alfarrábio para entender o que Lobão pretendeu ao atacar gregos-e-baianos com seu teclado-e-impressora anos 1980: uma volta ao palco dos envelhecidos-esquecidos, que pretendem melhorar o desempenho do cash-no-caixa. A única “revelação estarrecedora” encontrada no rebuscado das páginas é a que Dilma tem uma ficha criminal, afinal, de ficha e de crime poucos entendem mais do que ele. Na TV, João Luiz, o Lobobão-de-plantão, tinha como hábito em seu programa de entrevistas a originalidade de apertar seu berlusconi na frente das câmeras. A dúvida que ficou é se era para mostrar uma perene masculinidade ou como força de hábito de quem tem, na mão, a única possibilidade de um prazer mais prolongado.
Cultura nos 30
Virou moda em programas de auditório de alta audiência e baixa qualidade mostrar rasgos de erudição para acalmar o drama de consciência de saber que o público mais preparado assistindo esses momentos tem como referência cultural a revista Contigo. Nessa onda, o talentoso-generoso Faustão mostrou quadros de Picasso projetados em tela gigante, explicando o que é cubismo. Não se sabe se a produção do programa o fez de maneira proposital, ao colocar bailarinas dançando na frente da imagem. Sabe-se apenas que, pela primeira vez, Picasso e Degas foram mostrados juntos e mesclados, inaugurando um novo estilo de arte: o “cubissionismo”, que mistura cubismo em 1D e impressionismo em 3D, no mesmo enquadramento e horário.
Punk imaginário
"Sexo, drogas e rock’n’roll. O que seria o mundo anárquico do punk sem eles?” A pergunta feita por Suzy Menkes, no New York Times, poderia ser respondida com “pergunte ao bispo de Canterbury”, tal a banalidade. Mas, Madame Menkes, sempre hilária no seu abominável penteado-aloprado, fez pesada e inteligente análise dos critérios usados por Andrew Bolton, o curador da mostra Chaos to Couture, aberta com noite de gala no MET, em que o tal espírito punk foi motivo de gargalhadas para aqueles que frequentaram King’s Road nos anos 1970. Em seus comentários, não faltaram espetadas inteligentes na mania, introduzida pela aristocracia-de-escadaria comandada por Anna Wintour, de fazer galas beneficentes, alimentadas por celebridades e socialites, que tem em comum com a filosofia punk tanto quanto os sociólogos de escrivaninha têm com a realidade do cotidiano. Quem já passou os olhos pelas fotos da exibição tem a sensação de ter bebido H2O em que HO foi substituído por UÓ.
Investimento investível
Alguns estilistas brasileiros estão procurando investidores “que queiram investir em propostas criativas”. Esses possíveis investidores, examinando o que nossos valorosos-e-talentosos criadores tinham como produto, perceberam que o tal investimento é improvável-e-impensável. Afinal quem quer investir no “investível”?
Frase colunável
“Não tenho nenhuma mágoa da ditadura: eles enchiam o meu saco e eu enchia o saco deles.” Chico Buarque de Holanda.
Rendas & Babados: José @Gayegos fala sobre Lula e o desfile de Walério Araujo na Casa de Criadores
José Gayegos (@GAYEGOS) | 26.04.2013Escritos e escrituras
A transformação de Luiz Inácio da Silva (também conhecido como Lula, ex metalúrgico e ex presidente) em colunista do New York Times provocou um frenesi midiático só comparável a um imaginário possível convite para que Pedro Lourenço e seus cinquenta tons do já vistos fosse dirigir a Chanel. Esse frenesi dos prós-e-contras é perfeitamente explicável pela maneira original como Lula se manifesta. Certamente a notícia trouxe muito desagrado à intelectualidade-e-zelite, acostumadas com muitos efes e erres no palavreado e no texto, mas pouco conteúdo no resultado. Mesmo fazendo de conta que o plural nunca existiu na língua portuguesa, Lula poderá até receber um Pulitzer de críticos norte americanos que acham favela igual ao filme Orfeu Negro e cortiço apenas tema de samba de Adoniram Barbosa.
Escrituras e escritos
Não houve lugar mais frenético do que as redações das revistas de moda ao saberem que Lula ganhou espaço no mais importante jornal do mundo. Editoras espevitadas, devem ter pensado: “se ele pode, porque eu não?”, provando que as palavras “modéstia” e “autoconhecimento” não fazem parte de seus dicionários eletrônicos. Muito saltitantes em seus modelinhos jabás-com-strass, ficaram ao lado do telefone, esperando uma ligação-convite que, naturalmente, nunca chegou nem chegará. O NYT tem Cathy Horyn entre seus editores-redatores e suas colunas são sempre sérias, mesmo com humor, ao contrário das Tabajaras, que são sempre hilárias exatamente quando presumem ser sérias.
Entrada e jantar
O desfile de Walério Araújo, o estilista-sincretista, era para ser a entrada na Casa dos Criadores. Acabou sendo o prato de resistência para aqueles que confundem janta com jantar e encheu de uhu-uhus a garganta da plateia que ovacionou um amontoado de roupas inapropriadas para quem acha moda uma profissão séria, mas muito apropriadas para noitadas em inferninhos gueis. Na fauna & flora ansiosa pela fila A, encontravam-se figuras indumentadas com vestuário próprio para filme que tivesse como título “ Zé do Caixão Saindo do Armário”. Para delírio desse público, mais acostumado a ações de despejos e senhas em cartórios de protesto do que a ambientes de moda real, Valério-o-etéreo, apareceu ao final fazendo o gênero fada-engraçadinha-em-noite-mal-dormida. Mr. Araújo é sempre muito sorridente e simpático, mas seu talento se resume a adereços de madrinhas de escola de samba e vestuário para mocinhos e senhores que ainda não decidiram se querem ser Marilyn Monroe ou Marilyn Mason.
Poderoso e verdadeiro
John Fairchild é, ainda, o mais aterrorizante crítico de moda do mundo. Ex editor do Woman’s Wear Daily e da revista W, assinava uma coluna com o sugestivo nome de W Last Laugh (Última Gargalhada da W), usando o pseudônimo de Louise J.Esterhazy, uma certa condessa húngara. Fairchild sempre foi temido e bajulado pela influência que exercia. Mesmo a Diaba, que veste Prada, treme. Encontrei entre minhas preciosidades uma coluna sua, de dezembro/1997, em que ele aborda o sistema de moda e desmonta as editoras desse sistema com linguajar ninja-e-naja. Sua frase mais suave sobre elas foi “gansos barulhentos e pretensiosos”. Em breve, traduzirei a coluna inteira que poderá ser vista em meu blog: Gayegos.com.
Frase fraseada: “Elas, as mulheres, compram o que gostam, não o que as editoras de moda escrevem sobre o assunto.” John Fairchild
Rendas e Babados: alguns pitacos sobre o Fashion Rio e o velho embate de moda brasileira versus internacional
José Gayegos (@GAYEGOS) | 22.04.2013

Metralha
Dolce & Gabbana, uma espécie de Paulo & Maluf da moda italiana, estiveram no Brasil numa passagem tão rápida que, enquanto ainda ecoavam suas palavras na loja inaugurada no shopping JK, já estavam em um avião de retorno à Itália, onde aguardam desfecho do processo judicial sobre a fortuna depositada em sua empresa chamada, curiosamente, de Gado, no paraíso fiscal conhecido como Luxemburgo (que nunca terá como primeiro nome Wanderley). Mesmo pagando multa de US$ 500 milhões por sonegação, correm o risco de usarem exclusivos modelinhos listrados do Instituto Penitenziaro Italiano por cinco anos. Apesar do vapt-vupt paulistano, foram entrevistados por Lilian Pacce e Mônica Bergamo. Nenhuma delas, para melhor decorar seus diplomas plumitivos com moldura dourada-e-desbotada, perguntou sobre a gigantesca sanção aplicada pelo erário italiano, e a possibilidade deles encararem alguns anos in galera, ficando apenas no óbvio-oblívio tão caros ao jornalismo destes tempos modernos. Já Mario Mendes, o cronista-modista, dedicou-lhes quatro páginas na Veja com onze linhas sobre o assunto, numa prova que, inquerir, não convive com deslumbre.
Piscadas, beijinhos e assoos
Jean Paul Gaultier, o mágico da tesoura-e-costura, montou exposição itinerante de suas criações desde 1985. Como é sempre original, para mostrar seus modelinhos, Gaultier escolheu manequins que tenham “vida”, com sofisticação contendo até uma piscada. Essa criatividade colocou em estado de alerta frequentadores de exposições de moda brasileira, imaginando que, pretendendo também ser original, Reinaldo Lourenço, o mágico do papel-e-carbono, possa imaginar manequins que queiram jogar beijinhos como prova de amor e, Ronaldo Fraga, outros, que queiram assoar o nariz à moda cabocla, usando dois dedos, como prova de desprezo intelectual pelo mundo da moda.
Enfermaria no 2º andar
Como em suas épocas não existia nenhum Fashion Week disposto a mostrar transparências que pudessem levar enfermos a êxtases hospitalares, Florence Nightingale e Ana Nery nunca imaginaram que seus uniformes serviriam de inspiração para o sex shop fashionista da marca 2nd Floor, onde pudessem ser encontrados trajes de aspecto angelical, mas com conteúdo infernal. Ninguém duvida que belas e belos enfermeiros possam despertar o “underground” erótico de pacientes-impacientes, dispostos até a escrever números de celulares em pedaços de esparadrapo, estimulados por vestimentas fetiches-e-transparentes, de preferência já com antibiótico embutido. Nesse hospital erótico-exótico, o 2º Andar parece sempre estar no 2º Subsolo _sem elevador ou escadas que levem a outro andar.
Luminosidade e delicadeza
Nada de novo, mas tudo muito bonito e agradável de se ver a coleção de Alessa apresentada no Fashion Rio-Paris-Milão-Londres. Desistindo de pretensões-pretensiosas de outras estações e carnavais, mostrou modelos muito usáveis, em estilo “mix & match” com cores luminosas porém delicadas, destacando-se os blazers desestruturados em bordado inglês. Tudo o que uma mulher chic deseja ter no seu armário, naturalmente sem as transparências-insistências que nem mais despertam interesse, e as estampas de animais, já vistas e revistas desde que Adão apresentou a primeira estampa-cobra à Eva. Ao final, apareceu no seu estilo bate cabelo, sob aplausos merecidos, por essa bela coleção.
Frase fraseada: “Depois dessa coleção, se eu fosse Gaya, teria muita vergonha das minhas filhas” : Anônimo Gayegos.
Rendas & Babados: afiado, José @Gayegos comenta de Nicola Formichetti a Marco Feliciano
José Gayegos (@GAYEGOS) | 10.04.2013

Conselho atendido
Perguntado qual o público alvo de sua última coleção, João Pimenta, o estilista preferido dos encenados-abonados, respondeu que eram os executivos modernos. Como no Brasil, o último executivo moderno tinha como alfaiate o mesmo que vestia Borba Gato, foram os executivos americanos que deram o exemplo dessa modernidade, aparecendo vestidos como Fauna & Flora na última Easter Parade da 5ª.Avenida.
Seriedade e verdades
Scott Schuman, o mago do The Sartolialist, vem ao Brasil a trabalho. Não irá a nenhuma semana de moda e deixou um recado claro, reverberante e retumbante na entrevista para o astuto Bruno Astuto: “A moda no Brasil só precisa ser mais séria, melhorar o profissionalismo” e, complementando: “Vários desfiles são excessivamente teatrais e acabam virando uma espécie de grande festa. O que é importante para a moda fica perdido no excesso de dramaticidade”. Essa franqueza, provavelmente, deixará inconsolável Ronaldo Fraga, o persistente do show off, e outros estilistas da mesma escola. Como não tem nada para mostrar que seja usável, estão sempre procurando uma serpentina e um confete modeiro para dar interesse a algo que não tem nenhum.
A formiga e a cigarra
Nicolas Formichetti não precisará frequentar a fila dos sem emprego à procura de uma sopa grátis. Dois dias depois de ter levado um pied au cul da Thierry Mugler, foi contratado pela Diesel para renovar sua imagem. Enzo Rosso, o dono da marca, declarou ter encontrado alguém tão louco quanto ele e assim poderá tirar merecidas férias. Esse comentário só não espantou aqueles que vêm acompanhando o despencar de uma marca outrora preferida dos descolados. Com Formiguinha-Formichetti comandando essa nova fábula de La Fontaine, desta vez no mundo da moda, imagina-se que sua musa, Lady Gaga, interpretará a cigarra cantora-e-bailadora, colocando novamente em evidência, uma marca que, atualmente, está mais para “feio com desconto” do que para “modelo esgotado”.
Cartão de visita
Assim como lugares clandestinos tem caça-níqueis, o Brasil tem o maior número de faculdades de moda do planeta. Como não existe nenhuma OAB-Fashion para avaliar os estudantes formados nessas instituições, espera-se, após formatura, um grande número de filiados à AED - Associação dos Estilistas Desempregados. Alguns espertos perceberão que a profissão escolhida requer muito mais do que portfólio com tema de escola de samba, croquis estilo ET japonês e cartela de cores “com cheiro”; buscando uma atividade compatível com discursos pretensiosos, mas onde não seja preciso gastar com canetas coloridas e papeis para desenhos, apenas com cartão de visita onde se leia “blogueiro e personal stylist”.
Frases e fases
Roberto Cavalli, o estilista italiano que mais vende nos EUA, em fase Clodovil, chamou Karl Lagerfeld de “ridículo”. Kaiser Karl, em fase cinema mudo, não respondeu, deixando a turma do festonê-e-crochê midiático em fase desespero, afinal, o único conteúdo interessante na moda atual não é o que fazem, mas o que dizem.
Fast jornalismo
Algumas faculdades e escolas resolveram também fazer cursos de “jornalismo de moda”. O mais longo tem duração de sessenta horas, o mais curto doze. Imagina-se que, neste último, todo conteúdo será dado em ritmo igual ao da parte final das propagandas de medicamentos no rádio e TV e, o encerramento, anunciado por um Cuco; para melhor compreensão dos alunos do que seja o significado de “fast cultura”.
Ditadura e castigo
Pastor Feliciano, aquele que dá sempre a impressão de já ter nascido penteado com laquê, tem sido o assunto-assíduo da mídia social e das outras mídias, estas, cada vez mais secundárias. Feliciano, o pastor chapinha-lisinha, em seus saltitantes comentários, disse que vivemos em uma ditadura guei. Como nesse país imaginário, criado pelo pastor-rancor , a única ditadura possível é a da moda, já se espera que ele receba o castigo merecido e obrigatório de assistir, sentado na fila A, os desfiles da Cavalera, Amapô, Ronaldo Fraga e Jefferson Kulig. Todos em sequência e no mesmo dia.
Frase fraseada: “Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir”. George Orwell
Rendas & Babados: o novo estilista do ET de Varginha
José Gayegos (@GAYEGOS) | 01.04.2013

Varginha & Las Vegas
Cansado de ver adornos capilares que só poderiam ser usados no planeta Urano sem o perigo de uma guerra interplanetária, o ET de Varginha decidiu que já era tempo de mudar de estilista. Não foi sem relutância que abandonou suas preferências vestuárias mineiras. Há anos sua fidelidade foi inabalável, mas o Bom Brilho recente acabou mudando seu olhar e lá se foi, na sofisticada nave espacial, deixando, por falta de lugar, todas as roupas anteriores dentro do disco voador que enfeita a cidade onde fixara residência. Munido de alta tecnologia e ressonância magnética no olhar, deu um “zapping” espacial , encontrando a marca perfeita para uma aterrisagem mais ainda. Sempre no lugar certo, na hora certa, este colunista acompanhou o suave pouso em seu novo endereço de Las Vegas e fotografou, com exclusividade para o site Chic, a atual preferência em moda do ET mais famoso do Brasil. A foto acima, reveladora, não deixa dúvidas quem foi o escolhido, desta vez internacional, que cuidará do seu futuro estilo de vestir.
Adiós muchacha
Não foi a moda que teve uma grande perda com a morte de Clô Orozco, mas sua família, amigos e funcionários. Sorriso aberto na face sempre serena e sua voz suave, não serão mais vistos e ouvidos. Anos atrás, conheci sua extrema generosidade muito de perto. Não hesitou nem um segundo em oferecer uma grande quantia à uma amiga que passava dificuldades financeiras para montar seu negócio. A moda que ela fez, será esquecida, pela notória falta de memória da nossa farofalândia modeira, mas sua imagem ficará permanente naqueles que tiveram o privilégio de tê-la como amiga.
“Moda brasileira” na UTI
Até o final da década de 1970, a moda feita no Brasil explodia com marcas que faziam sucesso e vendiam muito como Gledson (uma mania nacional), Staroup, Yes Brasil, Company, Imperchic, Pull Sport, Lastri, Rurita, Atelier Parisiense e tantas outras que mal davam conta de produzir o que era consumido, e mais dezenas de costureiros que alimentavam o mercado de luxo, com tecidos nacionais, mas que acompanhavam os passos da moda internacional. Nos anos 1980, fabricantes de jeans e camisetas resolveram ser japoneses e belgas em seus produtos, influenciados por jornalistas de moda que, de mercado, entendiam tanto quanto da fabricação de biscoitos dietéticos. Donos de fábricas, resolveram ser estrelas e “criadores”. O resultado foi o desaparecimento de maioria delas e também da nossa indústria têxtil, com fábricas tradicionais fechando suas portas. A moda mudou, e com ela vieram tecidos criativos e preciosos, não mais encontrados por aqui, obrigando nossos estilistas a procurar e achar somente nos importados aquilo que precisam para que suas criações possam, pelo menos, acompanhar o que se faz no mundo. Sem matéria prima, sem modelistas qualificadas, sem costureiras e mão de obra bem preparadas, sem aviamentos adequados às novas tendências, encalhamos em pretensões “conceituais”, estimuladas por Maries Rukis, “pensadores” e jornalistas que aqui desembarcam, regiamente pagos por aqueles que imaginam que filosofia e “pensar em moda” são a solução para a crise que se instalou com o estabelecimento, não só de grifes internacionais sofisticadas e caras, como até populares, mas modeiras, como Zara e Topshop. Enquanto se fala do “sucesso” da moda brasileira lá fora, o que é uma mentira facilmente comprovada por números, nunca se viu uma invasão tão grande de produtos estrangeiros como agora. Culpam “altos impostos” (como se a mercadoria que chega, não pagasse exorbitâncias na importação), quando na verdade faltam investimentos de base, como em nossas “faculdades” de moda, que por pretensões de pedagogas do MEC, colocaram a moda sob as asas do “design”, obrigando-as a ministrar disciplinas totalmente desnecessárias para nossos futuros estilistas, ocupando o espaço que seria devido à modelagem, costura, engenharia e desenvolvimento do produto. Agora querem colocar o que, como bem disse Karl Lagerfeld, é artesanato, como “cultura” para obter financiamentos da Lei Rouanet. Mais uma vez, nosso dinheiro será aplicado em inutilidades e o resultado será, como sempre, inevitavelmente nulo.
Frase fraseada: “Moda se faz com tecido, tesoura, agulha e linha,” deste que a escreveu e sempre repete, porque, afinal, nunca ninguém tirou um croquis de um guarda roupa e o vestiu.

