Gayegos
Rendas & Babados: José @GAYEGOS debate o título de imperador da moda e elege Adriana Esteves como linda e chic!
Redação | 16.05.2012

Imperador sem título
Valentino, o chic do karaokê, sempre se achou o imperador da moda. A esse título, recentemente, acrescentou “o último”. Ele é um homem de muitos requintes e muitos luxos, mas, parece, que a história da moda não faz parte desse belo currículo. Um pouquinho mais de estudos, ele e seu entourage saberiam que o verdadeiro e último imperador foi Cristóbal Balenciaga, que também falava francês com sotaque de concierge, mas nunca precisou de assessoria para que seu título fosse reconhecido e divulgado. Ninguém nega o talento de Valentino, principalmente quando se trata de roupas para uso em festas noturnas em ótimos endereços, mas apropriar-se desse título, nem mesmo o mais ousado príncipe herdeiro que era Yves Saint Laurent tentaria sem ser mandado para aquela praça onde uma guilhotina afiada esperava os pescocinhos mais atrevidos.
Sabores & pavores
Alex Atala, o chef de todos os sabores, entrevistado por Marília Gabriela, a chefe de todas as perguntas inteligentes, disse que “criatividade só se tiver utilidade”. Essa frase deve ter arrepiado de espanto e susto a fechonlânida, sempre acostumada a ler e ouvir o adjetivo “criativo” para os mais persistentes pavores que são apresentados em desfiles tão rápidos quanto inúteis. Jornalistas das modas adoram falar de criatividade, mas estão sempre vestidas como se estivessem prontas para pegar o primeiro horário do metrô na estação Dom Pedro–sur-Tamanduateí.
Miss & moda
Já faz tempo que desfile de Miss deixou de interessar, não por gritaria daquelas feministas que se insurgem contra as tais mulheres objeto, mas apenas pelo fato que a nudez feminina ficou tão banalizada em sua explicita totalidade que um maiô inteiro desperta mais risos do que ascensões dos berlusconis de adolescentes e marmanjos. O excesso de desfiles de moda terá esse mesmo fim? A julgar pela quantidade e má qualidade do que é apresentado, logo teremos o mesmo fenômeno. O chute inicial dessa partida decadente e com final previsível foi colocar gente famosa na plateia e transformar certas editoras em atração mais fotografada do que os modelos apresentados.
Beleza & talento
Adriana Esteves é uma atriz que não precisa fazer olhos esbugalhados e narinas ofegantes para interpretar uma vilã. Além das qualidades artísticas, é quem melhor se veste em Avenida Brasil e outras avenidas menos ou mais famosas mostradas em teledramaturgia. Linda e chic, para desespero das outras, tem em seu acervo Vladimir Brichta que, afora ser ótimo comediante, desperta os melhores e piores instintos daqueles que apreciam plantas baixas masculinas.
Fotos desfocadas
Toda cidade que se preza tem um museu da moda. Todo museu da moda que se preza tem uma livraria onde se vendem cartões postais com fotos de modelos criados pelos maiores estilistas da história. Apesar de todas as pretensões à uma cidade que faz moda, a triste constatação é que São Paulo não tem um museu que pudesse abrigar uma livraria que tentasse conter cartões com modelos de estilistas nacionais. Por revolta das xeretas digitais, nenhuma foto que não fosse desfocada, apareceria para uma possível homenagem a certos criadores tupiniquins. Nem mesmo os melhores fotógrafos conseguiriam impedir essa greve de imagens.
Rendas & Babados: @GAYEGOS explica importância dos artesãos na moda e comenta coleção de Sandy Schreier
José Gayegos (@GAYEGOS) | 09.05.2012

Desenhos na parede
Até o final dos anos 1940, a moda, com suas belezas e grandezas, era criada por alfaiates e costureiras. Nessa época, apareceram os acadêmicos, especialistas em querer sofisticar através de conceitos o que sempre foi sofisticado, mas que nunca tinha sido anunciado em salões fricoteiros e academias preconceituosas. Assim, a arte do vestuário passou a ser ensinada em escolas de belas artes e não mais em ateliês de costura, afinal, os trabalhos de artesãos eram considerados menos nobres. Quando saiu das mãos dos criativos e competentes profissionais do corte e costura, passando para o dos desenhistas de moda, perderam-se técnicas centenárias e o conhecimento da expressão dos volumes. Folhas de papel podem ser lindamente desenhadas, mas só servem para decorar paredes, nunca vestir corpinhos.
Datas certas
Depois do Minas Trend Preview, a temporada de moda para o verão 2013 segue com o Fashion Rio, em breve com suas as datas certas para o mercado, mas erradas para aqueles que sempre esperam os desfiles internacionais para os famosos ctrl-c e ctrl-v. Com o novo calendário, finalmente, nossas marcas e estilistas terão tempo de vender, comprar os tecidos e produzir, espera-se, com uma qualidade que não se pode obter com correrias.
Ausência e alivio
Alívio dos concorrentes: Walter Rodrigues, sempre o melhor do FR, não estará nesta edição. Um desfalque para quem aprecia moda e estilo e satisfação para os outros que não sofrerão a inevitável contrariedade que Walter lhes causa com suas belas coleções.
Namoro intrigante
Maria Bethânia, a melhor intérprete desde que Ellis Regina foi cantar Upa Neguinho pra São Benedito, confessou no programa Sarau que, no começo da carreira, namorou "o" Jerry Adriani, cantor de muitas qualidades vocais e corporais, mas sempre chamado de brega até que a voz de Renato Russo, com melhores canções e aditivos, provasse que isso era apenas preconceito de alguns críticos. O único espanto desse namoro de Bethânia é que não tenha sido alguém que tivesse o artigo “a” no começo da apresentação.
Exibindo e exibidas
Sandy Schreier é milionária, culta, inteligente e tem paixão por moda. Uma das 100 maiores colecionadoras do mundo, possui acervo de mais de 15.000 peças, incluindo raros desenhos originais de YSL. Esse acervo já foi visitado por grandes estilistas e, principalmente, por Harold Koda, o curador do MET. Sua particularidade é nunca usar peças de sua coleção para aparições em chás ou noites de gala. Estão todas muito bem guardadas em um depósito especial perto
de sua casa, de onde só saem para exibições em museus. Além desse currículo, ela também faz livros específicos usando a moda como tema. No Brasil, sua experiência seria impossível, afinal o único interesse de Val Malchiori e suas afiliadas, nunca é exibir, apenas se exibir.
Diálogos impossíveis
Miuccia Prada: “se eu fiz algo, foi tornar atraente o feio” . Nunca uma declaração foi tão verdadeira, apenas equivocada no “atraente”. Muito melhor seria: “se eu fiz algo, foi desmascarar aqueles que nunca souberam o que é bonito”.
Rendas & Babados: José @GAYEGOS reverencia fotógrafo Bill Cunningham e comenta as amostras grátis da moda
José Gayegos (@GAYEGOS) | 02.05.2012

Moda jabá
A Sétima Avenida de Nova York, conhecida como Fashion Avenue, está comentando com muitos sorrisos irônicos no cantinho da boca as declarações do reverenciado fotógrafo americano do NY Times Bill Cunningham, homenageado com um jantar de gala no hotel Waldorf-Astória. Não foi a presença de Mercedes Bass, Annette de La Renta, Lauren Santo Domingo e a inevitável Anna Wintour com suas roupas vintage que proporcionou todo esse burburinho, mas o longo, agradecido e ético discurso de Bill, dizendo, para constrangimento das decanas das amostras grátis, que não gosta de mulheres que usam roupas emprestadas dos estilistas: “Prefiro que elas comprem com seu próprio dinheiro”. No Brasil, esse acontecimento seria impossível, afinal, nenhum fotógrafo teria idade e repertório para, em noite de gala, ser homenageado no Maksoud Plaza e, muito menos, nossas jornalistas, produtoras de moda e stylists, possuiriam suficiente cash no caixa, para pagar seus próprios modelinhos. Apenas fingiriam que tinham.
Botox & processos
Arnold W. Klein é cirurgião plástico. Sua fama vem dos rostos de Michael Jackson e Liz Taylor. Ele dá consulta em Los Ângeles, cidade mais famosa pela quantidade de botox nos beiços do que pela d’água nas torneiras. Apesar de toda esta fama, está sendo processado por várias celebridades que afirmam “não terem sido avisadas” dos efeitos colaterais de um produto muito mais apropriado para lubrificar máquinas de costura do que transformar lábios em tema para músicas de Luís Miguel. Já, em São Paulo, não faz muito tempo, um senhor veio ao enterro de sua ex-mulher. Depois de 25 anos sem vê-la, não fosse pelos conhecidos e parentes, abandonaria o velório, achando estar levando flores à uma defunta errada.
Blogueiros - farofeiros
Vinte anos atrás, o celular era um tijolo e não se conhecia Internet, CDs, DVDs, e-mails, DNA e tantas outras utilidades presentes no cotidiano atual, sem as quais não conseguimos imaginar nossas vidas. A única atividade que permaneceu imutável, apesar das pretensões criativas de uma boa parte da fashionlândia, foi a moda. Talvez por conta da vaidade e insegurança presentes nos falsos conhecimentos, mestrados e doutorados sobre o assunto, não consigam sair do império do já visto e já feito em décadas anteriores, com “criadores” cuja reputação saiu não dos conhecimentos dos tecidos e dos moldes, mas pelas amizades fumantes e bebericantes conseguidas em mesas de inferninhos com enormes filas nas portas. Há muitos Steve Jobs e Bill Gates, mas nenhum Courrèges e Cardin, nestas gerações de blogueiros-farofeiros.
Arte e arteiros
A TV Bandeirantes vai colocar na TV paga, 24h por dia, um canal dedicado somente às artes e à cultura. BBC e RAI já estão entre as internacionais que farão parte da programação. Conteúdo brasileiro também estará presente, muito mais por exigência legal, do que por ser essencial, obrigando os telespectadores a ter nas mãos, pronto para uso instantâneo, o controle remoto. Sempre com o extremo cuidado de ter pilhas novas ao alcance.
Frase fraseada:
“A moda é composta por dois tipos de personagens: os interessados e os interesseiros”
Rendas & Babados: José @GAYEGOS fala do que sabe e conta um pouco de história da moda e do vestuário
José Gayegos (@GAYEGOS) | 19.04.2012

Drapeado derrapado
Laurence Benaïm é uma destacada jornalista gaulesa. Escreve para o Le Monde, o mais importante jornal da França, e é diretora da mais criativa revista de moda, aquela que todas as outras imaginam que são ou pretendiam ser: a Stiletto. Também é biógrafa para as Editions Assouline, que têm uma coleção de livrinhos sobre os grandes criadores de moda. Todas essas qualificações não a impediram de colocar no livro Grès, sobre a tradicional maison de alta-costura, duas fotos de um vestido feito por Oleg Cassini para Jacqueline Kennedy como sendo criação da Divina-do-Drapeado. Em tempos de internet, quando a informação instantânea com preguiça de pesquisa é repassada como verdadeira e qualquer editora pode escrever que Vionnet foi “a precursora do moulage” sem ser demitida por justa causa, o resultado será sempre nada menos que desastroso.
Evita sem Dior
Eva Perón é reconhecida como a Primeira Dama mais chic que surgiu depois que Eva, a mulher de Adão no Paraíso, resolveu podar uma videira e com a folha fazer o primeiro modelo assimétrico da história. Não faz muito tempo, conhecida jornalista escreveu no seu blog que, “no cotidiano”, Evita vestia-se com Dior. Afirmativa mais falsa do que os diamantes de Clodovil. Apesar de usar Dior em algumas noites de gala, assim como Marcel Rochas e Balenciaga, Evita, no dia-a-dia, vestia-se com o alfaiate Luís D’Agostino, o Luisito, e com Paco Jamandreu, seu costureiro e confidente. É verdade que já começam a surgir reações contra esses tipos de disparates e informações incorretas. Também é verdade que o poder de certas mídias eletrônicas não toca no assunto da cultura de moda, evitando que a fashionlândia fique sabendo que, apesar de um currículo internacional, o que se vê e lê não passa de texto muito mais apropriado para um jornal que tivesse como título “A Gazeta do Sertão”.
A imperatriz da moda
Todos os que conhecem a história do vestuário -que não é a mesma coisa que a da moda- sabem da relevância de algumas mulheres nesse relato, sempre mal contado e repassado. Entretanto, poucos imaginam que a mais importante nunca teve ateliê, mas uma coroa na cabeça, sendo a responsável pela origem de profissões fascinantes: Eugênia, a imperatriz mais elegante depois que Maria Antonieta teve seus cachos separados do corpinho por uma lâmina bem afiada. Espanhola de origem, nascida Montijo e casada com o Imperador Napoleão 3º, foi quem elevou Charles F.Worth à condição de costureiro e não apenas “fornecedor” e lhe fez a reputação. Também foi quem apoiou Alexis Lavigne em suas pesquisas sobre técnicas de moulage e modelagem. Encomendando suas roupas de montaria a ele, mas detestando as longas provas, ela o incentivou a fazer seu “corpo”, que acabaria se tornando o embrião do busto de costura tal e qual o conhecemos hoje, e também inventar a fita métrica, criar o primeiro método de modelagem plana feminina e fundar a primeira e mais antiga escola de moda em atividade até hoje, a Guerre-Lavigne, atual Esmod. Dois alfaiates pioneiros, estimulados pela mente inteligente e interessada em arte e beleza de uma princesa iluminada. Já agora, em tempos republicanos, temos todo um aviário, cujo único interesse se destina à compra de roupas, sapatos e bolsas com assinaturas importantes, mas nada relevantes.
Frase fraseada
“Moda se faz com tecido, tesoura, agulha, linha e repertório. O resto é ônibus pra Xique-Xique”
Rendas & Babados: @GAYEGOS compara os leilões de YSL e Clodovil e palpita sobre o novo diretor criativo da Dior
José Gayegos (@GAYEGOS) | 13.04.2012

Falso brilhante
Tempos atrás, em Paris, Pierre Bergé reuniu todo o acervo de obras de arte de YSL em um leilão histórico. As peças expostas no Grand Palais, atraíram multidões em filas organizadas e educadas, mas, no leilão, só foram admitidos os realmente interessados e abonados, dispostos a pagar milhões de Euros até por uma cadeira onde passearam traseiros famosos. Já em São Paulo, no de Clodovil, em um espaço mais apropriado para a venda de sardinhas em lata do que objetos de prata, a falsidade não se limitou a alguns itens, mas também à uma parte do público composto por “amigos” dispostos a aumentar lances, ou certos compradores que imaginaram enxergar raridades onde só existiam banalidades. YSL, deixou herança, Clodovil, dívidas, numa prova triste e irrefutável de que o sonho de um costureiro famoso e milionário, no Brasil, não passa de ficção.
Cai e sai
Raf Simons, uma espécie de vagalume de luz fosca do estilo sem forro-e-sem gola, é o novo diretor artístico da Dior. A casa, que já foi sinônimo de qualidade e beleza, preferiu deixar os lucros que o prêt-à-porter de Gaytten estava dando (28% a mais do que na época de Galliano) para os possíveis riscos provocados pelo mais desinteressante estilista que a moda produziu desde a época em que Christian Dior fez saias rodadas com tecidos de paraquedas. Simons, o queridinho das editoras, poderá vender muitas revistas, resta saber se terá o mesmo êxito com as roupas.
Doações impossíveis
Nos EUA, ex alunos de escolas importantes, como o FIT costumam fazer doações generosas às instituições em que durante anos estudaram. Em moda, no Brasil, essa generosidade seria impossível, afinal a maioria dos estilistas com algum cash no caixa é autodidata ou estudou em escolas com cursos de quatro semanas e uma professora francesa mais famosa na avenida Brasil e rua Augusta do que na Saint Honoré e Sentier.
Mortícia sem Caco
Marisa Orth está em mais um musical “da Broadway”: a Família Adamms, interpretando uma Mortícia com aspecto de quem tivesse ficado tempo demais em uma piscina com excesso de cloro. Não importa em que espetáculo, Marisa dá sempre a impressão que atua como se nunca tivesse Saído de Baixo. O perigo dessa Mortícia cantante e dançante é os espectadores acharem que se encontram em outra época e outro teatro e, aos gritos, comecem exigir a presença de Caco Antibes no coro do cemitério.
Charme imaginário
O nome da próxima novela da Globo será Cheias de Charme. Imagina-se a dificuldade da direção de elenco para escalar atrizes que, na maioria, deve achar que estão falando de marca de cigarro ou de um novo tipo de batom.
Rendas & Babados: José @GAYEGOS elogia Carlos Miele, Glória Pires e chocha algumas referências de moda
José Gayegos (@GAYEGOS) | 04.04.2012

Bolinha
Carlos Miele, o estilista do fuxico-e-drapeado, tem todo um perfil que deixa seus coleguinhas brasileiros à beira de ataques de nervos: é bonito, rico, habilidoso e, para espanto do clube do Bolinha, hétero. Tais adjetivos são vistos no mundinho da moda tupiniquim como pouco merecidos. No país do faz de conta, qualquer um que tenha essas qualidades, aliadas ao brilho internacional, transforma-se imediatamente em vítima de ataques nunca menos raivosos do que os de um Pit Bull mal alimentado.
Rodeio & Motel
Paula Fernandes, profissão cantora e compositora, é uma bela mulher que faz sucesso com músicas destinadas à quem deseja momentos inesquecíveis em rodeios e motéis. Além disso, parece ser também a “estilista” de suas próprias roupas. Paulinha, como é conhecida em diminutivo muito apropriado, dá sempre bons motivos para ser evitada em suas performances: nem tanto por seu repertório musical, mas sempre pelo susto que provoca com suas indumentárias.
Dedo mindinho
Todos os sobreviventes de uma época em que Pau Grande era apenas um gracejo com o nome da cidade onde nasceu Garrincha devem andar muito frustrados. Notícias vindas de uma capital outrora civilizada, dão conta que os Rolling Stones não mais farão excursões. A culpa dessa infelicidade geriátrica é de Keith Richards, relatando em seu livro, que Mick Jagger, o grand-papa da guitarra-e-gritaria, tinha “o dedo pequeno” e que já passara em revista uma namorada dele. Como se percebe, roqueiros mudam de idade mas, quase nunca, de amabilidades.
Sabedoria não transmissível
Glória Pires é uma atriz muito talentosa e prudente: nunca pisou em palco teatral, sabendo que as cenas não podem ser repetidas, prefere telenovelas e filmes, cujas tomadas podem ser regravadas. Essa mesma sabedoria não demonstrou a ex namoradinha, Regina Duarte, que é ótima na TV, mas quando entra em cena teatral dá a impressão que o texto é sempre duvidoso, mesmo quando o autor é um certo Shakespeare. Já Marília Pêra é atriz de muitas qualidades e várias interpretações inesquecíveis no palco e outras tantas, para olvidar rapidamente quando em dramaturgia noveleira.
Neurônios desconectados
A última afetação dos “modernos” é chamar o filme do genial fotógrafo e cineasta Willian Klein, Qui Êtes-Vous, Polly Maggoo?, de “filme fashion”. Desmentindo essa afirmação, a cena inicial é a crítica mais demolidora e hilária já feita ao mundo da moda, desde que Dalila, vestindo modelinho de um ombro só, cortou os cabelos de Sansão. Parece que mesmo para analisar o conteúdo de uma película, os neurônios fashionistas não conseguem se interligar com muita propriedade.
Freaky & Sissie
As gargalhadas ainda soam alto, depois de Simon Doona, o embaixador-criativo-at large da Barney’s, dizer que moda é sempre freaky e uma profissão nada apropriada para sissies. Não se sabe de onde ele tirou essas ideias, mas, na prática, a moda demonstra que esses conceitos são totalmente inverossímeis, descartáveis e altamente risíveis.
