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Rendas & Babados: elogios a Sephora a Avenida Brasil e chochos a Saint Laurent Paris e copiadores de Balenciaga...

Inauguração nada chic
Depois de uma jornada-atribulada, foi finalmente autorizado o Abre-te Sésamo ao shopping JK. É sempre bom encontrar o bonito e bem feito em meio a tantas feiuras ladeadas por uma marginal fétida, mas é sempre ruim ver compradores, que deveriam se comportar com compostura, parecer uma turba avançando em algum bolo a metro de alguma festa religiosa no Bixiga. Nesse cenário de empurra-empurra inaugural, a satisfação foi encontrar a Sephora, com muitas belezas e aromas à disposição. Essa perfumaria, do grupo LVMH, que em Paris revolucionou o conceito de vender cosméticos, será um alívio para aqueles que querem fazer suas compras sem a presença indesejada de vendedoras que dizem: “posso ajuda-lo?” , “ fique à vontade” ou “se precisar, meu nome é Lucimar e o seu?”.

Cópias impossíveis
Em seu livro Tableaux de Chasse, o brilhante e polêmico escritor francês Roger Peyrefitte conta a história real de Fernand Legros, marchand picareta-chic que descobre um pintor capaz de falsificar qualquer outro com tanta perfeição que até mesmo seus autores reais ficariam em dúvida. Para aumentar a credibilidade, em troca de algum cachê os quadros eram validados por experts e viúvas, assim, muitas das obras que estão hoje em museus não passam de falsas criações que transformaram o falecido Legros em homem muito rico e influente. Na moda, esse acontecimento seria impossível. Não existe nenhuma possibilidade que Balenciaga e Madame Grès possam ser falsificados ou sequer imitados, mesmo que essas imitações pudessem ser produzidas por um persistente no assunto como Reinaldo Lourenço. Qualquer um pode copiar e imitar estilistas saídos de uma escola belga ou alemã com suas manias de desconstruir o que tanta qualidade construiu, mas ninguém jamais se atreverá sequer imaginar que Balenciaga e Grès possam ter um falsário-copiador capaz de semelhante ultraje sem que um inspetor da Interpol seja imediatamente acionado.

Avenida congestionada
João Emanuel Carneiro, o autor de Avenida Brasil, novela que transformou seus coleguinhas em produto para os ventos do Saara, está causando graves problemas àqueles que sempre tinham uma desculpa para sair no horário noveleiro. Ninguém quer perder um só capítulo do folhetim que mantém o país paralisado à espera de mais uma atuação brilhante da irresistível Adriana Esteves, mesmo que seja contracenando com Débora Falabella, atriz que dá a impressão, com seus choros copiosos, que seu único ídolo foi Sarita Montiel. Acostumada a personagens com QI de estilista, Débora ainda não percebeu que o texto que interpreta não é de uma cantora de tangos fracassada e desamparada, apenas uma garota voltando da Argentina à procura de uma vingança só comprável àquela que Bette Davis aplicou em Joan Crawford, quando lhe serviu uma ratazana-na-porcelana no inesquecível filme O Que Teria Acontecido À Baby Jane.

YSL em re-menor
Hedi Slimani, o re-introdutor do terninho-apertadinho dos anos 1950 na moda masculina atual, anda muito lampeiro. Assumiu o controle total da imagem de YSL. Fotógrafo, com talento para a moda limitado apenas ao “re”; re-desenhou a marca que agora será re-conhecida como Saint Laurent Paris, já que, como todos sabem, existem outros Yves Saint Laurent, provavelmente em Burkina-Fasso ou Mongólia. O trêfego Hedi também está mudando o estúdio de criação de Paris para Los Angeles, onde encontrará modelistas e costureiras re-formadas pela re-nomada escola da Chambre Syndicale de la Couture Mexicana, no primeiro caso de uma grife que, mesmo sendo imaginada na Califórnia, levará o sobrenome Paris na etiqueta. Espera-se, pelo menos, que, apesar do novo endereço, saltitante Hedi não transforme o famoso smoking em roupa para algum surfista-fashionista enfrentar as ondas do Pacífico.