Les Chics

Muitos megabytes

Queria mostrar para você o TAMANHO do nosso book de tendências que fazemos a cada estação para o Minas Trend Preview.

A ideia é que ele seja uma peça digital, para lojistas e compradores de todo Brasil poderem baixar mais facilmente o arquivo e treinar suas equipes de venda com as tendências da temporada. Portanto, esta é uma impressão única que fazemos para arquivo e como portfólio, mas onde você pode ver quanta informação é compactada em um simples PDF.

Você não imagina o gosto que temos quando ele fica pronto! O próximo já está a caminho e a gente avisa aqui no Chic quando estiver pronto para que você possa baixar também. Aguarde :) 

DOWNLOAD: CATÁLOGO DE TENDÊNCIAS DO INVERNO 2013 DO MINAS TREND PREVIEW
(clique com o botão da direita, depois em "salvar como...")

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Em apresentações intimistas, top estilistas explicam pessoalmente os detalhes que fazem suas roupas tão valiosas

Você deve lembrar quando Pedro Lourenço trocou o desfile por um evento menor no Fasano, para que fosse possível apresentar a coleção de verão 2012 e explicar pessoalmente os detalhes que faziam de suas roupas tão valiosas. Este é um formato que ocorre com frequência nas temporadas internacionais (chama presentation), geralmente em torno de marcas menores e mais comerciais. Ou ainda para apresentar as coleções comerciais das grandes marcas conceituais.

Outros estilistas já praticam desta modalidade com sucesso há tempos. Cris Barros é uma que mantém um formato tão instigante quanto eficiente. A cada estação ela costuma receber grupos pequenos de jornalistas no showroom, meses antes do lançamento, e mostra as inspirações e as peças prontas, explicando cada corte e cada costura. Somente na ocasião da chegada da coleção à loja é que faz um desfile, sempre um grande evento, com todas as clientes como convidadas, vestindo as roupas e aplaudindo entusiasmadamente da primeira fila.

"O melhor formato seria mostrar apenas três look ultra-conceituais de passarela, para a imprensa especializada, e só depois fazer um desfile focado inteiramente no consumidor", defende Ricardo Almeida, outro praticante, que visitamos recentemente para conhecer coleção e campanha de inverno 2013. Segundo o estilista, desta forma evitaria ter cada peça copiada por uma marca de difusão menos preocupada com autoria. "É como o Salão do Automóvel, você mostra um protótipo para os especialistas e o produto final para quem vai comprá-lo". Simples assim.

Passados os desfiles de verão 2014 em SP e no Rio, Alexandre Herchcovitch mostrou ao vivo para algumas editoras as linhas de prêt-à-porter e jeanswear. Gloria disse, sobre o que viu na passarela: "uma coleção difícil e de poucas concessões." Já sobre o que pegamos nas mãos nesta visita, fica uma ótima impressão, principalmente sobre o tratamento esportivo obtido com pespontos de jeanswear sobre seda, os encaixes difíceis de fazer mas fáceis de vestir, o delicado toque do cetim duchesse que tem paixão... Ele prometeu que vai repetir o encontro na próxima estação, antes dos desfiles, de modo a enriquecer a percepção dos jornalistas sobre o produto.

Convidados para um lançamento do verão da Lanvin no shopping JK, foi uma boa surpresa descobrir que ao invés do tradicional almoço/coquetel, teríamos o diretor comercial da marca francesa, Scott Studenberg, apresentando cerca de 10 looks, contando do que eram feitos, como poderiam ser montados e qual era ideia do diretor-criativo Alber Elbaz ao executar cada um deles. No fundo, não existe este conflito entre conceitual e comercial. O que existe é produto. Quando existir.

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Blazer de popstar

Escrevi recentemente aqui neste blog que não é nos desfiles que vamos encontrar as referências para renovar a moda masculina. Volto a tocar neste assunto, redirecionando a bússola para uma fonte rica e inspiradora, nem por isso uma novidade: o universo da música e dos videoclipes. Me armo de dois exemplos recentes _Daft Punk e Psy.

Comecemos com a dupla francesa Daft Punk, que prepara para maio próximo o lançamento de seu quarto álbum, Random Access Memories. O single de estreia é a brilhante (em vários sentidos) Get Lucky, com participação do rapper Pharrell Williams e do guitarrista Nile Rodgers. Tanto no clipe que circula pela internet quanto na campanha da Saint Laurent Paris fotografada por seu diretor criativo Hedi Slimane, eles usam blazers de smoking bordados com lantejoulas. Não poderiam estar mais sexy e instigantes. Diferente dos sérios ternos Balenciaga que os mesmos usaram na ocasião de lançamento do filme Tron.

Permita-me citar em seguida o figurino do debochado músico sul-coreano Psy, que acaba de lançar o seu segundo hit, Gentleman, na tentativa de repetir o sucesso de Gangnam Style (que também já citei aqui). Esqueça completamente a calça sarouel que ele usa neste vídeo e preste atenção apenas nas partes de cima para ver uma série de bons exemplos de jaquetas e blazers para completar com muito brilho o seu look de festa. 

Mais dois exemplos que não podem faltar ao falar de tops bordados: Michael Jackson, que permeou o imaginário dos anos 1980 com seus blazers de altas patentes militares ou jaquetas perfecto bordados de cristais, e o DJ e produtor musical curitibano Boss in Brama, fã de Michael confesso, também com uma boa coleção de brilhos no guarda-roupa de e da noite. 

Já no ritmo do fim de semana, aperte o play! Muito brilho para você, popstar.

(Daft Punk, Pharrel Williams e Nile Rodgers em Get Lucky)
 

Gentleman, do Psy

 

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Questionando o questionamento da Reserva

Não é de hoje que a Reserva se propõe a discutir o seu papel e importância e significados dos desfiles e dos costumes no circo da moda, sem se importar com narizes torcidos aqui e ali. Com perfeito linguajar de publicitário, Rony Meisler gosta de se colocar como questionador dessa indústria em que a sua marca faz tanto sucesso, em textos, manifestos, protestos. Nesta temporada, a ladainha continua. Como fica o papel da moda brasileira se todos devem seguir o mesmo padrão europeu? Qual o sentido de mostrar algo que não será usado pelas pessoas? E tantos outros porquês.

Questionamentos válidos? Sim. Mas será o papel da Reserva, que já mostrou tanta roupa que não chegou às lojas, fazer esses questionamentos? Talvez não seja, talvez seja. Mas, eu diria, não com a "pitada de deboche" que a turma da marca botou na passarela. Falando sobre "homens que vão atrás da moda", colocaram seus modelos andando atrás de bobas fantasias, como cães de corrida atrás do inalcançável coelho de plástico. "Vamos focar no que realmente interessa", filosofam. O tipo de ideia que parece genial, mas acaba como tiro no pé.

VEJA AS FOTOS

As roupas de verdade eram, sim, bem bonitinhas (apesar de seguir um pouco do padrão de mercado europeu, opa!): jeans delavé, tricôs confortáveis, camisetas de modelagem interessante, alfaiataria etc. Mas o leitor do Chic não vai ver nada disso, em fotos boas como acontece com todos os desfiles. Tudo porque a marca simplesmente... não estava afim de mostrar. Quem estava lá, viu.

As "pessoas de verdade", que resultam em quase 1,5 milhão de likes no Facebook e não estavam no desfile, ficaram só com a parte da bobagem. Vão achar legal? Talvez, engraçadão, como já aconteceu em outros manifestos da marca. Mas para um mercado de moda masculina onde o vento tem muito espaço para fazer eco, é uma oportunidade desperdiçada e que pode jogar os poucos clientes para a concorrência. Desfile engraçadão é o mesmo que apoiar o público consumidor a ser vestido pela mãe e pela namorada.

Quem está no Fashion Rio para trabalhar, acaba gastando tempo, se sentindo desrespeitado. E desfile, mais do que tendência e gente bonitinha, é ambiente de trabalho, business, dinheiro sendo gasto para gerar dinheiro. A Reserva tem todo o direito ao livre protesto, é claro. E aqui fica o nosso, em retorno.

E de protesto em protesto, vai se construindo... um grande nada. Como este desfile.

(Vale ler também o desabafo do nosso fotógrafo, Charles Naseh, sobre a performance)

UPDATE: Rony Meisler se manifestou sobre o assunto via Facebook, leia

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Qual beleza

A Dove lançou nesta segunda-feira (15.04) o documentário Retratos da Real Beleza, mais uma etapa da bem-sucedida campanha inclusiva que desde 2005 promove a aceitação de tipos variados de beleza. É um assunto que tem tudo para ficar chato e enfadonho se seguir o caminho da autoajuda ou assistencialismo de autoestima, porém na sua abordagem não fica.

Desta vez, a marca de cuidados pessoais se propõe a revelar a diferença entre autoimagem e a percepção do outro sobre nós mesmos. Para isso, convidaram Gil Zamora, uma artista forense do FBI, para criar dois retratos falados de sete mulheres diferentes: o primeiro descrito por ela mesma e o segundo descrito por uma outra. Imagine que, não apenas são imagens muito diferentes, mas os retratos falados feitos a partir da própria descrição revelam feições mais feias e com defeitos do que quando derivados de descrições de terceiros.

Legal uma publicidade de beleza bancar a ideia de que não é apenas consumindo produtos que você vai resolver seu dilema. Muitas pessoas, feias ou bonitas, têm problema com o espelho. Desconfie das que nunca tiveram. No fundo, a mensagem não é que todo mundo é bonito do jeito que está. Mas pode ser. Sendo assim, é.



 

 

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Salvem a moda brasileira

Quem trabalha com moda no Brasil, principalmente no centro do mundinho paulistano, já sabia de longa data pelos comentários de bastidores. A Huis Clos passava por problemas financeiros, à margem do mercado que ajudou a formar. Clô Orozco estava deprimida e abusava dos remédios. Já tentara o suicídio algumas vezes.

E o dia começou assim, hoje. Triste, desolador, doloroso. Mas não exatamente inesperado, não é mesmo?

Parece drama de existencialista. E Clô, ao batizar a marca com referência sartreana, não deixava de lado essa sua faceta. Por isso mesmo, tinha a fama de uma das mulheres mais interessantes e inteligentes de se conversar.

Parece drama de existencialista, mas não é. Clô é um símbolo de muito do que anda errado na moda brasileira.

Um mercado em que os veteranos lutam para se manter e a renovação é praticamente nula. Onde os mais velhos desistem e não deixam substitutos à altura. E que vai sendo canibalizado cada vez mais pelos peixes grandes.

É um pouco de romantismo, pode se dizer. No capitalismo é assim, também é um argumento válido. Mas na propaganda que pede uma identidade de moda brasileira, de onde ela vem? Uma Huis Clos poderia ser um exemplo de marca que, com investimento e uma gerência de gente grande, duraria como símbolo de moda nacional, principalmente paulistana. E não só para iniciados e nos livros de história.

Clô não era a única criadora da sua geração com problemas e depressões, pessoais ou financeiras. Era, talvez, apenas o elo mais frágil do grupo. E enquanto isso, a nossa moda criativa e esforçada vai definhando.

Mas, de novo, isso é coisa que só sediscute baixinho, em jantares e bastidores. A propaganda dá conta de uma indústria brilhante, alegre e saudável. Quem desiste, se esforça para desistir sorrindo.

Huis Clos, em francês, se refere a um termo sobre "discussão a portas fechadas".
Talvez seja hora de abrirmos essas portas. Talvez seja essa, afinal, sua grande herança.

O inferno, nem sempre, são os outros.

+ Gloria Kalil fala sobre a perda da amiga

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