Les Chics
Uma viagem ao mundo de Zara, parte 5: as irmãs mais novas
Eduardo Viveiros, de Barcelona | 30.04.2012

Passear por Barcelona é se sentir nos domínios da Inditex. Não à toa: se a Zara está baseada na cidade natal La Coruña, todas as outras marcas do grupo ficam por aqui. Impossível caminhar na área central da cidade, entre um monumento e outro desenhado por Gaudi, sem tropeçar em duas (três, quatro...) tiendas de cada uma.
Vai à Espanha? Anote um perfil de cada uma das irmãs mais novas da Zara, cada qual com seu público, todas com vontades a longo prazo de chegar ao Brasil:
. Uterqüe - a mais recente do grupo, criada em 2008, é a marca "de luxo" dos espanhóis, com preço um pouco mais elevado em comparação aos da Zara, mas qualidade e matéria prima melhores. Essencialmente marca de acessórios, começa a aumentar sua coleção de roupas.
. Pull & Bear - marca unissex casual e esportiva, criada em 1991, com forte presença no jeanswear.
. Oysho - grife de lingerie, moda praia e homewear do grupo, inaugurada em 2001. Arriscando até na modelagem pouco europeias a que as brasileiras estão acostumadas. Tem também uma linha esportiva, em parceria com a Adidas.
. Massimo Dutti - originalmente uma camisaria masculina, foi adquirida em 1991 e transformada (também com linha feminina) na grife mais elegante e clássica do conglomerado, inclusive com serviço de peças sob medida.
. Stradivarius - comprada pela Inditex em 1999, é a linha mais jovem e colorida, quase uma Zara adolescente. Foca em tendências rápidas para um público bem fashionista.
. Bershka - criada em 1998, é um pouco mais madura que a Stradivarius, mas também faz a linha jovem e de tendencinhas, inclusive no masculino, e é a segunda marca do grupo que mais vende.
Uma viagem ao mundo de Zara, parte 4: visitando a fábrica
Eduardo Viveiros, de La Coruña | 27.04.2012

Impossível não ficar impressionado ao conhecer de perto as instalações da Zara, que é conhecida como uma das empresas de moda com a melhor logística. A fama não é gratuita, percebe-se ao entrar no centro de distribuição próprio da marca, no polo industrial de Arteixo, próximo a La Coruña.
O complexo, espalhado em metragem equivalente a onze campos de futebol (!), é ligado às onze (o número não é uma superstição) fábricas próximas através de túneis, que escoam toda a produção para o sistema automatizado responsável por separar os pedidos e entregas das 1800 lojas em 82 países.
A numeralha não acaba por aí. Depois de encaixotados, as peças chegam às araras no prazo máximo de 36 horas (no caso de países distantes como o Brasil) ou até em 24 horas, em países próximos alcançáveis via caminhões. Esse processo se repete duas vezes por semana, calendário de entrada de novas roupas nos pontos de venda.
Mais números? São produzidas perto de 480 milhões peças ao ano, fazendo o faturamento bater nos 14 milhões de euros (60% das vendas de toda a Inditex).
Boa parte da responsabilidade de todo esse sucesso espanhol é do modelo de negócios do mítico señor Amancio Ortega, criador da Zara em 1975. Atualmente o homem mais rico do país (e quinto na lista mundial), Ortega nunca foi fã de fotografias e se afastou do seu cargo no grupo em 2011 mas (dizem) continua extra-oficialmente passeando pelas fábricas.
Esperto, o espanhol perverteu a seu favor o modelo tradicional de criação têxtil, baseado em uma coleção fixa que é oferecida por seis meses aos clientes. No mundo de Zara (e todas as suas irmãs), a coleção inicial é mutante e reage às vontades dos consumidores.
Dentro da Inditex, o mantra é dizer que "a coleção é feita pelo cliente". Tudo por conta do feedback frequente que o centro de produção tem de todas as lojas, mostrando o que vendeu (ou não) e refletindo os pedidos feitos aos vendedores por peças ou tendências que ainda não estão nas araras.
Esse processo, segundo a propaganda interna, leva cerca de 15 dias - da criação para a fábrica, daí para a loja, com os comentários então voltando para a criação. Se uma peça faz sucesso, ela não é reeditada - mas inspira modelos parecidos para capitalizar sobre as vendas anteriores.
É essa a "fórmula secreta" da Inditex, que se transformou no gigante do fast-fashion em menos nesses 37 anos. Esperto, señor Ortega faturou em cima da globalização e do processo que fez a moda (e seus consumidores) ir mais atrás da escolha do estilo nas últimas décadas.
Na nossa visita à fábrica, a produção despachava um último lote de blasers pretos e atacava paletós de tweed com forro de animal print. Incontáveis peças rosas esperavam sua vez de embarcar, espalhadas pelo galpão em filas monstruosas.
Cópia inspirada pela Chanel? Alguns diriam que sim. Mas o assunto aqui é tratado com cuidado e, novamente, o mantra do cliente justifica. Segundo eles, a criação não é baseada em coleções das grandes marcas, mas no que eles sabem que as clientes estão com vontade de comprar.
Elas querem paletós de tweed rosa? Pois que tenham paletós de tweed rosa. Mas rápido, pois se acabar...
Uma viagem ao mundo de Zara, parte 3: com filosofia de "vestir a casa", Zara Home vai ocupar fatia vazia no Brasil
Eduardo Viveiros, de La Coruña | 26.04.2012

Prestes a chegar ao Brasil, a Zara Home é uma das marcas mais charmosas do grupo Inditex. E, assim como a Zara mãe, está com os olhos no Brasil, eleito mercado principal para 2012 no seu planejamento de lojas (posto da China, nossa companheira de BRICS, em 2011), que não devem parar na primeira loja.
Para quem gosta dessas lojas dedicadas à casa, a Home é uma perdição. E vai ocupar fatia vazia no mercado brasileiro: diferente da maioria das nossas lojas, com seus móveis e bricabraques, a espanhola tem seu forte no que chama do "vestir a casa".
A Inditex aplica sua experiência de roupas (alimentada pelo fast-fashion da Zara) para criar uma boa coleção de têxteis para os cômodos. Cama, mesa e sala, além da confortável linha de homewear, com camisolas, calças de linho e espadrilhas almofadadas, mais linha infantil feita em parceria com os florais característicos da inglesa Liberty.
Dentro da filosofia da marca, os espanhóis dizem que criam "moda para casa", aplicando tendências do guarda-roupa às toalhas, lençois, panos de prato e afins. Atualmente, vão na linha dos florais, animal prints e cores fortes. São quatro linhas fixas (blanco, que é a mais clássica, country, étnica e contemporânea), divididas em verão e inverno, com chegada semanal de novos produtos.
Por focar no têxtil, a Inditex não tem o menor interesse em vender móveis na Zara Home. Prefere se aplicar em louças e decorações, setor da loja que vem crescendo ano a ano, atualmente representando 25% do faturamento de 300 milhões de euros, e nos onipresentes cheirinhos - home sprays, velas aromáticas, sabonetes e cremes.
Completando 10 anos em 2013, a Home teve faturamento de 300 milhões de euros no ano passado. Boa parte do sucesso, dizem eles, vem da ideia de permitir ao cliente "carregar sua compra em uma só sacola". Outro fator é a inexistência de "pacotes de produtos". Copos, lençóis, talheres, tudo é vendido por unidade. A produção também impressiona: são criados cerca de 7.500 itens por temporada.
A loja brasileira, ocupando 472 m2 do shopping JK Iguatemi, é a primeira expansão da marca no Hemisfério Sul. E deve fazer sucesso por conta dos preços (do tipo taças a 4 euros e cortinas de linho por 99), que devem se manter razoáveis no Brasil quando abrir as portas.
Os espanhóis só estão esperando o shopping, previsto para inaugurar em meados de Abril, resolver seus perrengues judiciais para que comecem a planejar os próximos pontos por aqui.
Uma viagem ao mundo de Zara, parte 2: você conhece a coleção criada especificamente para o Brasil?
Eduardo Viveiros, de La Coruña | 25.04.2012

Quem visita as lojas da Zara nos shoppings brasileiros dificilmente sabe desse detalhe, mas a coleção que vemos por aí não é exatamente a mesma que está à venda aqui no Hemisfério Norte.
O departamento de criação da marca, com seus 260 estilistas, ocupa um espaço de 24 mil metros quadrados de uma instalação feita de vidro e mármore em Arteixo, polo industrial próximo a La Coruña. É lá que tudo é decidido, das roupas e acessórios às vitrines padronizadas, mais estúdios fotográficos e lojas piloto (guardadas a sete chaves contra as nossas câmeras).
Desse grupo de estilistas, parte tem um foco muito importante: traduzir a coleção que vai para as lojas europeias, americanas e asiáticas para o nosso lado de baixo do planeta. E nesse cenário, o Brasil é a estrela mais importante no mapa múndi da Zara.
Esse movimento se dá por conta do modelo de negócios da empresa, que vai contra o tradicional. Enquanto as grandes marcas internacionais levam suas coleções para o Brasil com seis meses de atraso (graças, naturalmente, à diferença de estações entre hemisférios), a "equipe de criação do cono sur", como é chamada, tem a missão de adaptar as peças para o nosso gosto particular.
Então, quando a coleção chega ao Brasil (quase que ao mesmo tempo dos mercados do Norte), é porque passou pelo crivo dessa equipe, que viaja a São Paulo pelo menos duas vezes por ano. No processo, as peças têm suas cores e estampas adaptadas e tecidos trocados (frequentemente por opções mais leves). A modelagem também tem um esforço extra, já que o corpo latino é diferente do clássico europeu.
Com o tempo, algumas peculiaridades foram entrando no filtro dessa equipe. Quem conta é Susana Caamaño, uma das estilista do "cono sur": cores como cáquis e marrons não fazem sucesso entre as brasileiras, arriscam dizer que seja por conta do tom de pele. Em fevereiro deste ano, outro flop: uma tentativa de introduzir coleção em tons pastel também foi mal sucedida - só as peças estampadas venderam, deixando as lisas minimalistas encalhadas nos cabides.
Susana também enche a nossa bola ao dizer que o Brasil é um dos grandes campos da marca para testar novas ideias. "Já notamos que os brasileiros gostam de estar na última tendência", diz.
Fora das araras, o país também se mostra importante na cadeia de produção. 1% das roupas da Zara é feita no país, entrando na lista global de fábricas da marca, que estão pela Ásia (35% da produção, principalmente malharia e peças básicas), Europa (14%, em países como Turquia, Itália e Bulgária) e Península Ibérica, que concentra o grosso do montante (49%, em Portugal, Marrocos e na terra natal Espanha).
A produção brasileira não é exclusiva das nossas lojas. 60% é distribuído para o Hemisfério Sul, nas lojas da América Latina, África do Sul e Austrália. Produção essa, porém, feita quase que totalmente com tecido importado. Ou seja, até os espanhóis já notaram que nossa indústria têxtil vai muito mal das pernas.
Uma viagem ao mundo de Zara, parte 1: La Coruña
Eduardo Viveiros, de La Coruña | 24.04.2012

Enquanto começa o Minas Trend Preview em Belo Horizonte, o Chic chegou à Espanha nesta terça (24.04) para uma imersão no mundo da Inditex, grupo espanhol cujo filhote mais conhecido é a Zara.
Assim como a maioria das marcas internacionais, a Zara - tradicionalmente fechada à nossa mídia de moda - começa a mudar de temperamento em relação ao Brasil. E o convite vem para estreitar os laços entre os dois lados.
As visitas aos grandes escritórios da Inditex só começam na quarta, portanto o primeiro dia foi para nos habituar ao fuso horário e à viagem (quase interrompida pela migração espanhola, em esquema de cerco fechado contra os brasileiros, que quase nos deixou de fora do país), apresentando a cidade e suas tradições.
La Coruña fica no extremo noroeste da Espanha, encravada no canto medieval do país - pertinho da famosa Santiago de Compostela (alô, Paulo Coelho!). Robusta, é coberta de gaivotas e cercada pelo oceano - com o grande porto de um lado e do outro as praias, que devem ser bem interessantes no verão (e não na primavera que pegamos aqui, com máximas de 12 graus e mar ressaquento).
Pequena, ganha interesse pelo projeto arquitetônico bem cuidado (com um roteiro de influência modernista), que mescla planejamento contemporâneo às tradições medievais. Uma das principais atrações turísticas é a Torre de Hércules, um farol que ainda é ativo e está por aí pelo menos desde o século 2. Do lado oposto fica o Obelisco do Milênio, esculpido em cristal de rocha e inaugurado em 2001.
A gastronomia também não é brincadeira. Os galegos daqui levam a sério a tradição das tapas espanholas - e já deu para notar que ser convidado para uma refeição típica é garantia de boa comida, principalmente baseada em frutos do mar (o polvo é uma das principais estrelas), servida com vinhos leves (a produção local é de bebidas não envelhecidas).
Foi desse cenário que saiu a Zara, em 1975. É aqui que fica a primeira loja da rede, ainda ativa, ao lado de outras cinco (!) espalhadas pelos meros 38 km2 da cidade.
Uma visita a uma delas mostra como é o posicionamento real da marca, que por conta dos nossos impostos foi levantada a "fast-fashion de luxo", com os preços inflacionados. Por aqui as etiquetas são realmente baratas como se espera, com todas as modinhas do momento nas araras a uma velocidade espantosa: meros 45 dias depois da detecção de uma tendência.
Isso sem falar nas outras nove marcas do grupo, como a teen Stradivarius, a Uterqüe (mais cara, dedicada aos acessórios) e a Zara Home, de acessórios de casa, que se prepara para desembarcar no Brasil. Mas isso é assunto para os próximos dias.
Vans e Dr. Martens, imagine só, lançaram sapatos bem caretinhas
André do Val | 29.03.2012 em Homem

Você ouve falar em Vans e pensa em tênis de skate, assim como você ouve falar de Dr. Martens e pensa automaticamente em coturnos, certo? Pois qual não foi minha surpresa ao ver dois modelos bem caretinhas (de olho em tendencinhas) destas duas marcas tão pouco convencionais. A Vans ficou entre os tradicionais mocassins, mas a Dr. Martens foi direto na maior tendencia do momento, de sapatos masculinos com solados esportivos.
