Les Chics

#aquibateumcoracao (ou: Existe amor em SP?)

A movimentação começou via Instagram, na madrugada da segunda-feira (05.03). Unidos por uma hashtag, conhecidos e desconhecidos exibiam backstage de uma ação de guerrilha: dúzias de corações que ganharam as ruas e foram afixados, na surdina, em estátuas clássicas paulistanas - pelo Centro, Paulista e Ibirapuera - e que fizeram a cidade acordar um pouco mais quente, numa semana sem gasolina que acabou em lua cheia.

O amor em São Paulo é discussão quente, e vem ganhando seus slogans. Começou pelos muros - Amor é Importante, Porra e Mais Amor, Por Favor, novos clássicos do pixo genuinamente paulistano - desembocou na música de Criolo - Não Existe Amor em SP - que chegou em Caetano Veloso e virou bordão para uma cidade que (desculpem a nostalgia) não é mais aquela, e está passando por uma transição para sabe-se lá o que. Uma cidade que ainda não admite bicicletas e que transfere o trottoir das lojas de rua para dentro de shoppings cada vez mais sem graça. Daí a gente fica até com medo de ser eleita "a cidade que transmite o espírito dos tempos atuais".

Não sei de quem foi a ideia do #aquibateumcoracao, e nem me importo. Em 2012, entrando na era dos #anonymous, da nova guerrilha, vale mais o resultado e menos seus criadores. E o resultado é bom: fez o povo parar na Paulista (assim como, imagino, nos outros pontos) para observar um coração vermelho e brilhante no peito de bronze do bandeirante Fernão Dias Pais, em frente ao Trianon. Bobagem, mas até emociona.

Não é só o amor que está em falta em São Paulo. Mas cordialidade e simpatia, respeito e sorriso, civilidade. Falta delicadeza. Como num simples coração de isopor pintado e envernizado.

Mas tomara que eu esteja errado e este seja só um post cafona.



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