Les Chics
Prada versus Vuitton: exposições de moda podem tanto turbinar quanto minar o desejo de consumo
André do Val | 21.08.2012

Detestei a exposição Schiaparelli & Prada: Impossible Conversations, que vi nos últimos dias em que esteve no Metropolitam Museum of Art de Nova York, antes de fechar as portas neste domingo (19.08). Imagino que deva ter sido muito difícil mesmo montar algo tão grandioso quanto a mostra anterior do museu, Savage Beauty, em torno da obra de Alexander McQueen (1969-2010). Porém, em números, as matronas receberam em 2012 apenas metade dos 661.509 visitantes que estiveram lá para ter contato com as criações do costureiro inglês em 2011.
Tanto o tema quanto o modo em que foram trabalhadas as associações entre as estilistas italianas pareceram um tanto esquizofrênicos, pra não dizer sem propósito... Uma vez lá dentro, não havia um fio condutor pertinente que ajudasse a contar a viagem que surgiu na cabeça dos curadores Harold Koda e Andrew Bolton (além da profissão e da nacionalidade das duas). Porém, havia um grande aglomerado de ideias que poderia ter sido feita com qualquer outra dupla de estilistas, de qualquer outra época.
Some a isso os constrangedores vídeos de Baz Luhrman das tais conversas impossíveis, criadas a partir da coluna na Vanity Fair nos anos 1930 assinada por Miguel Covarrubias, chamada Impossible Interviews. Neles, Miuccia Prada descortina citações suas frente a frente a uma Schiaparelli afetadamente interpretada por Judy Davies.
Me explicaram lá que foi uma ação patrocinada pela Amazon, uma vez que a loja virtual vai entrar em breve no segmento de e-commerce de moda que está todo mundo de olho, vendendo justamente as peças das marcas de Miuccia, dentre outras. Contudo, merecia cada uma uma exposição em separado, para que pudéssemos admirar suas criações com o respeito que lhes serve.
Por outro lado, me encantou a retrospectiva de Yayoi Kusama promovida pela Louis Vuitton no Whitney Museum por conta da mais recente associação de Marc Jacobs com um artista, que já aconteceu antes com Richard Prince, Takashi Murakami, Stephen Sprouse... A artista japonesa é realmente obcecada com bolas, bolinhas e bolotas de todo tipo e na ordem cronológica em que foi apresentada vê-se como ela evoluiu esta proposta ao longo das décadas, em pinturas, esculturas, vídeos e performances.
É de perder o fôlego especialmente a instalação paralela Fireflies on the Water (que é dificílima de entrar, pois fica numa sala separada, com menos convites á disposição pois só pode entrar um por vez). No final das contas, você acaba saindo da mostra com vontade de comprar uma bolsa da edição especial, numa das muitas lojas da marca da cidade cobertas de cima a baixo pelas mesmas padronagens em poás.
Fica a lição: não basta um acervo de roupas dispostas em um museu para se fazer uma boa exposição de moda...

