Les Chics
Uma viagem ao mundo de Zara, parte 3: com filosofia de "vestir a casa", Zara Home vai ocupar fatia vazia no Brasil
Eduardo Viveiros, de La Coruña | 26.04.2012

Prestes a chegar ao Brasil, a Zara Home é uma das marcas mais charmosas do grupo Inditex. E, assim como a Zara mãe, está com os olhos no Brasil, eleito mercado principal para 2012 no seu planejamento de lojas (posto da China, nossa companheira de BRICS, em 2011), que não devem parar na primeira loja.
Para quem gosta dessas lojas dedicadas à casa, a Home é uma perdição. E vai ocupar fatia vazia no mercado brasileiro: diferente da maioria das nossas lojas, com seus móveis e bricabraques, a espanhola tem seu forte no que chama do "vestir a casa".
A Inditex aplica sua experiência de roupas (alimentada pelo fast-fashion da Zara) para criar uma boa coleção de têxteis para os cômodos. Cama, mesa e sala, além da confortável linha de homewear, com camisolas, calças de linho e espadrilhas almofadadas, mais linha infantil feita em parceria com os florais característicos da inglesa Liberty.
Dentro da filosofia da marca, os espanhóis dizem que criam "moda para casa", aplicando tendências do guarda-roupa às toalhas, lençois, panos de prato e afins. Atualmente, vão na linha dos florais, animal prints e cores fortes. São quatro linhas fixas (blanco, que é a mais clássica, country, étnica e contemporânea), divididas em verão e inverno, com chegada semanal de novos produtos.
Por focar no têxtil, a Inditex não tem o menor interesse em vender móveis na Zara Home. Prefere se aplicar em louças e decorações, setor da loja que vem crescendo ano a ano, atualmente representando 25% do faturamento de 300 milhões de euros, e nos onipresentes cheirinhos - home sprays, velas aromáticas, sabonetes e cremes.
Completando 10 anos em 2013, a Home teve faturamento de 300 milhões de euros no ano passado. Boa parte do sucesso, dizem eles, vem da ideia de permitir ao cliente "carregar sua compra em uma só sacola". Outro fator é a inexistência de "pacotes de produtos". Copos, lençóis, talheres, tudo é vendido por unidade. A produção também impressiona: são criados cerca de 7.500 itens por temporada.
A loja brasileira, ocupando 472 m2 do shopping JK Iguatemi, é a primeira expansão da marca no Hemisfério Sul. E deve fazer sucesso por conta dos preços (do tipo taças a 4 euros e cortinas de linho por 99), que devem se manter razoáveis no Brasil quando abrir as portas.
Os espanhóis só estão esperando o shopping, previsto para inaugurar em meados de Abril, resolver seus perrengues judiciais para que comecem a planejar os próximos pontos por aqui.

