Les Chics

Não é nos desfiles que vamos encontrar as respostas para nossas dúvidas em moda masculina, dizem especialistas

Ando sem ter o que responder para os amigos que querem saber como será a moda masculina das próximas estações. Homens que conheço fora do circuito de moda até andam interessados no assunto, mas não veem nas passarelas o que precisam para se vestir para ir ao trabalho, sair à noite ou mesmo ficar em casa namorando. Foi uma das mais fracas temporadas do segmento em alguns anos e além da carência de imagem de desfiles, as poucas publicações especializadas sofrem por um problema seríssimo de segmentação por opção sexual e não por estilo de vida.

Já não temos mais como desculpa a falta de interesse pelo grande público, porém anda mesmo difícil conduzir esta pesquisa de imagem em território brasileiro. "Estamos em um momento delicado, sim. Para o consumidor, o que chega na loja é o comercial do comercial e o que aparece nas revistas é muito trivial.", afirma Sylvain Justum, editor da Harper's Bazaar que tem o blog de moda masculina Hypercool como projeto paralelo. "Nós que trabalhamos com isso ainda podemos ir direto à fonte, ou seja, falar com as marcas individualmente. Mas nos desfiles há muito pouca informação de moda para gerar um conteúdo específico", sugere ele, que já foi acusado de só mencionar marcas internacionais.

Nem o jornalista carioca Lula Rodrigues, que cava assunto sobre o tema em qualquer ambiente em que esteja, veio para esta edição do SPFW. Diz que tem como bom motivo a finalização do aguardado Almanaque da Moda Masculina, que mapeia séculos e séculos de como homens se vestem. Mas e hoje, Lula, e hoje, como nos vestir? "Não há informação nítida vindo das marcas ou dos desfiles. As maiores novidades e o que realmente define o que é ser um homem cool estão na Internet, principalmente no Instagram e no Tumblr. E é exatamente o que não se vê na passarela!", conclui.

A editora da revista Alfa, Kika Brandão, gostou de João Pimenta e Osklen, mas reclama que o segmento anda esquecido pelas empresas. "Temos muitas marcas internacionais chegando no Brasil, várias dela apostando no masculino e oferecendo informação de moda de maneira usável. Mas o produto nacional está sem novidade, com preços altos e um qualidade intermediária. E não adianta estar no calendário de moda brasileiro para desfilar bermuda e camiseta, né? Isso o brasileiro já sabe usar muito bem!".

Em entrevista recente ao Chic, o modelo David Jensen afirmou que, especificamente para o trabalho dele, o mercado editorial gay é muito mais recompensador no Brasil do que o convencional. Porém, especialistas deste segmento discordam. Juliano Corbetta, por exemplo, produz em NY a revista de imagem de moda masculina abertamente gay Made in Brazil,  pois diz que lá tem mais acesso às roupas que imagina para seus editoriais. "Marcas nacionais precisam fazer um esforço, não só para criar roupa de passarela, mas para oferecer algo que gere desejo e que funcione no dia a dia! Os desfiles são desconectados do que vai efetivamente pras lojas, que por sua vez estão muito conservadoras," enfatiza ele, que só vestia marcas internacionais, e nem é por esnobismo.

Outra ausência deste SPFW, o estilista Mario Queiroz comentou o assunto em seu Facebook. "O David além de excelente modelo é uma pessoa muito bacana mas o que ele falou é polêmico. Com minha experiência, posso afirmar que nem todo gay consome moda brasileira, muitos odeiam qualquer inovação na moda, se vestem muitas vezes da forma careta e alguns só se preocupam com marca".

Para você ter uma ideia, o momento mais viril que presenciei nesta semana de moda foi entrar sem querer no banheiro masculino durante a troca de turnos dos seguranças, no fim da tarde. Muitos deles se arrumavam para ir embora, enquanto outros perguntavam entre eles se tinham vestido corretamente o convencional terno preto e camisa branca do uniforme. Não é dentro da Bienal que eles vão encontrar esta resposta. Nem os meus amigos.

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Um papo com Gilles Lipovetsky

O filósofo francês Gilles Lipovetsky está no Brasil para uma série de palestras em várias cidades brasileiras, à convite da Maison du Luxe, e estivemos na ocasião de sua visita em São Paulo, na quinta (21.02). Parece que o conteúdo apresentado é o mesmo de quando ele esteve por aqui em 2012, mas a graça neste caso foi ver de perto a maneira como ele trata o assunto, como fala com as mãos e como faz brilhar os olhos quando faz as conclusões que ele deve ter passado anos costurando dentro da cabeça.

Bem resumidamente, ele divide o atual mercado de luxo em quatro conceitos muito bem marcados, a seguir:
1.    A desregularização do consumo do luxo, que antes era restrito à aristocracia adulta e hoje alcançe em diferentes faixas sociais e etárias. “Luxo antes era uma cultura de classe, requeria boas maneiras, porém hoje é consumido da mesma maneira que produtos populares e sem perder sua legitimidade.

2.    Ao contrário dos emergentes que usam produtos de luxo como vitrine de seu sucesso financeiro de forma ostensiva, há o consumidor emocional, que busca vivenciar experiências mais sofisticadas _não só com moda, mas com perfumes, joias e automóveis, e de modo praticamente erótico.

3.    Para ele ainda vemos uma curva crescente no que diz respeito à democratização do luxo, que antes servia para manter o status quo de uma casta abastada, mas hoje serve para legitimar o prazer (como comprar um tênis de marca, por exemplo), o que determina uma mudança muito grande de pensamento.

4.    Lipovetsky diz que a moda deixou de ser uma fonte de criatividade e que hoje é melhor observada por seu poder de distribuição. Esta indústria, antes baseada essencialmente em criação, segue hoje a lógica da individualização, mas não da originalidade. Segundo ele, compras hoje servem para atender gostos passageiros e não para manter os consumidores na moda.
 

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Pescoço de ouro

Foi visitando a nova loja da Bulgari no shopping JK que tomei tardiamente o primeiro contato com as gravatas da marca. Segundo a relações públicas para América Latina Daniela Frewa, não mais havia nenhuma à venda na ocasião, esgotadas assim que foram penduradas nos ganchos.

O sucesso está no modo em como são feitas, artesanalmente, com sete dobras. "Diferentemente da maioria das gravatas, que são feitas com vários pedaços de tecido costurados uns nos outros, a gravata de sete dobras é feita de um único pedaço de seda, normalmente com um pouco mais de um metro quadrado, mas podendo chegar a 2,5 m². Cortado, como toda gravata bem-feita, no viés, o tecido é então dobrado sete vezes nele mesmo, as pontas fechadas à mão. Ao final deste demorado processo, todo manual, está uma gravata feita inteiramente de seda", explica.

Compare a peça com uma tradicional feita à máquina em que uma casca de seda é envolta em lã para dar corpo para sentir a diferença. Elas custam em torno de R$ 600, porém só chegam em meados de março.

 

 

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A tal da calça fluo...

Uma convidada do desfile de Jason Wu em NY, doida para sair em algum blog de street-style, decidiu vestir uma calça fluo, ou neon, ou verde-limão. E sentou bem em frente ao pit do desfile.

Pois o Style.com, o maior banco de desfiles internacionais, alterou as cores das fotos, uma a uma, para que a tal calça não ofuscasse a coleção. O WWD também. E você pode ver os originais neste site Popsugar.

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Fashion Blocking

Já deu pra perceber que eu sou vidrado no Tumblr, né? Pois é a rede social que serve mesmo como território mais fértil para a criatividade na moda atualmente. A última descoberta é o Fashion Blocking, que cria uma cartela de cores para cada look de passarela. Não tem nenhuma informação oficial vinda das marcas, mas serve para você usar como referência para compor peças de roupas ou mesmo para customização de páginas online.

Veja nos links abaixo algumas páginas já recomendadas, bem mais inspiradoras que look do dia! (visite também um que tenho feito apenas sobre imagens de moda masculina: andredoval.tumblr.com). 

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Carine Roitfeld assina capa e editorial que serão publicados em todas as Harper's Bazaar do mundo, em março

Sai na próxima edição da Harper’s Bazaar Brasil, em março, o primeiro trabalho de Carine Roitfeld como diretora global da publicação. A ex-diretora da Vogue Paris assina capa e editorial de 17 páginas que vão ser publicados em todos os países onde circula uma versão da revista, com os principais looks desfilados por marcas internacionais em fotos de Kacper Kasprzyk e casting estelar de modelos, como Stephanie Seymour, Ashleigh Good, Joan Smalls e Lara Stone

Não poderíamos estar mais felizes com a chegada de Carine Roitfeld ao time da Harper's Bazaar. Visionária, ela vai trazer seu olhar para nossas páginas e interpretar, a sua maneira, as tendências mais importantes da moda”, diz Maria Prata, diretora da edição nacional. A Harper’s Bazaar Brasil chega às bancas em 28 de fevereiro.

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