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Mesmo após um longo exílio de 18 anos, o estilista Geová Rodrigues continua pensando em português: “Eu poderia morar uma eternidade fora do meu País, mas continuaria pensando na minha própria língua”, diz ele, que atualmente mora em Nova Iorque e foi radicado americano.
Rodrigues está preparando seu primeiro desfile no Brasil e comenta que tudo parece um sonho. “Sempre quis mostras minhas coleções aqui – está tudo acontecendo conforme planejado. Estou realmente voltando para casa”. O evento acontecerá no dia 17.07 no espaço UMA, na Vila Madalena, ao meio-dia e será off SPFW (eventos que acontecem fora do circuito oficial da semana da moda).
Sucesso no exterior
Nos Estados Unidos, ele exibe suas coleções na Olympus Fashion Week a oito temporadas e tem seu próprio ateliê de criação, onde atende seus clientes pessoalmente. Nascido em Barcelona, interior do Rio Grande do Norte, o estilista é o quinto de uma família de 13 filhos e aprendeu logo cedo com sua mãe a reciclar roupas e tecidos. Sua carreira de artista plástico o levou para o exterior, mas ele trocou o pincel pela agulha após ter ganhado uma máquina de costura de um amigo.
Pela vontade de criar ser maior do que o dinheiro na época, ele vasculhava as lixeiras da 7a Avenida, em Manhattan, onde se encontram ateliês de estilistas famosos como Calvin Klein, Anna Sui e Donna Karan. Rodrigues escolhia os melhores retalhos e retornava ao seu estúdio – ali, criava peças direto nos manequins, utilizando a técnica moulage. Suas criações originais, retalhadas e com acabamento de alta costura chamaram atenção de Anna Levak, editora de moda da revista Harper’s Bazzar, e a partir de então, Rodrigues começou a colecionar clientes famosas como Rachel Weisz e Gisele Bündchen.
UMA by Geová
Mais novidades: Rodrigues comercializará, no segundo andar da loja da UMA, uma linha exclusiva para a marca assinada por ele. Anna Levak virá para o Brasil exclusivamente para fazer o styling do desfile e celebridades como Supla, Fernanda Tavares e Luana Piovani participarão do show.
De acordo com o estilista, não existem grandes diferenças entre o público americano e o brasileiro. “Apenas desmontei o meu circo lá e trouxe para cá”, comenta ele. O que mais o desafia é a questão comercial versus a criatividade. “Quanto mais comercial fica a moda, mais desafiado eu sou a ser criativo”.
As roupas “criativas” seguirão a mesma linha das criações que o estilista comercializa nos Estados Unidos. A mescla e diversidade de tecidos será o grande diferencial – Rodrigues contou que em uma única peça, ele chegou a utilizar dez tipos de matéria prima diferentes entre chiffon, rendas e brocados. Segundo o estilista, a cartela de cores está “um verdadeiro arco-íris”.
Kiki Ferreira
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