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A moda brasileira brilha, dentro e fora do Brasil, mas não vende. Com esse tema, Gloria Kalil inaugurou o FashionMKT, um seminário voltado às questões nacionais e internacionais de moda e marketing, para gerar discussões em torno da situação brasileira nesse cenário. A primeira edição do evento, que é anual, aconteceu em abril deste ano, pouco depois da temporada internacional de inverno 2006/07 – da qual algumas marcas nacionais participaram. Hoje, uma temporada depois, mas ainda com a mesma impressão, percebemos um aumento de brasileiros no line-up da Olympus Fashion Week, a semana de moda de Nova York, que talvez anunciasse novidades.
Interessado em saber o que resultaria disso, o Chic não só ficou de olho na atuação dessas marcas, como, ao final dos desfiles, foi atrás do que a imprensa local publicou a respeito das (nossas) grifes. Nossa conclusão é aquela do começo: moda brasileira, por enquanto, não vende. Nem mesmo rende muito assunto para os jornais – que, apesar de um elogio aqui e ali, cliques de modelos sensuais cá e acolá, não investiram energia em críticas sobre os desfiles dos brasileiros.
Há poucas exceções à regra e, claro, todos torcemos para que o Brasil faça cada vez mais bonito no exterior. Enquanto isso não acontece de fato, confira os principais comentários da mídia nova-iorquina a respeito:
Cia Marítima (desfilou em 08.09)
Estreou nesta edição do evento e se saiu bem na mídia graças à presença da tcheca Karolina Kurkova no casting. Porém, mais que exposição via fotos da modelo, não teve sua coleção profundamente analisada.
O New York Post, em 09.09, estampou em uma de suas páginas uma big foto de Kurkova de biquíni. No texto, mencionou rapidamente que o estilo do beachwear da marca é boho-chic (aquele das meninas loiras, ricas, jovens e jet-setters).
Já o WWD, considerado bíblia dos fashionistas, foi bem conciso em matéria do dia 11.09, ao contar que a marca “se inspirou em um passeio pelas praias do Brasil para recuperar um estilo sexy de biquínis e vestidos de estampas tribais”.
Alexandre Herchcovitch (desfilou em 09.09)
Já é conhecido em NY, onde se apresenta desde 2004. Despertou opiniões divididas.
O New York Post, em 10.09, fez bons comentários, opinando que a coleção é jovem e esperta, como uma “mistura de Cacharel e Marni”, e dizendo que o estilista fez uma “apresentação concisa de jaquetas e saias estruturadas e de inspiração militar, vestidos na altura do joelho que não revelam descuidados com a forma e jardineiras, tudo em uma alegre paleta de cores e uma dose saudável de branco e preto”.
Já o New York Times pirou um pouco em 12.09 ao dizer que Alexandre trouxe cores primárias, as mesmas usadas pelas crianças nas favelas do Rio, em uma coleção de inspiração étnica e casting de diferentes nacionalidades – que “mais parecia um lounge de delegados da ONU”. Os chapéus de ráfia, supostamente comprados de última hora, também chamaram a atenção do jornal.
Em 11.09, o WWD foi novamente curto e, desta vez, grosso, com a crítica/frase: “Uma cansativa mistura de embriagantes cores primárias e grafismos em preto e branco foram a pegada do desfile de Herchcovitch”.
Rosa Chá (desfilou em 10.09)
Pulou o SPFW, deixando a surpresa, tanto para brasileiros, quanto para americanos (que viram a marca no evento pela primeira vez em 2001), para seu desfile em Nova York. Segundo as críticas, o criativo beachwear de Amir Slama agradou e teve boa cobertura – não fosse, talvez, a fofoca gerada em torno de um episódio em sua primeira fila.
O Fashion Wire Daily disse em 14.09 que “sexo vende, e ninguém faz isso melhor que a Rosa Chá”. A atenção foi para dois lados: o bom uso de acessórios nos biquínis e os “melhores corpos de toda a semana de moda”. A crítica termina muito bem, dizendo que os modelos “certamente serão copiados”. Ponto para o biquíni, que o brasileiros realmente sabem fazer!
Em 11.09, o Daily News não fez mais do que dar o seu recado: “Para a Rosa Chá, Amir Slama brincou com enfeites, desde alças de suspensórios até correntes e fivelas sadomasoquistas”.
Carlos Miele (desfilou em 13.09)
É definitivamente o queridinho dos americanos, tão apaixonados por moda red carpet. Se o estilo vende, não se sabe ao certo (e quanto), mas que rende ótimos flashes de primeira fila, não há dúvida.
Em matéria de 14.09, o Fashion Wire Daily se empolgou ao dizer que, assim como Cavalli substituiu Versace no posto de marca perfeita “to dress up”, “Miele deverá ser o novo Cavalli”. Segundo o jornal, o estilista teve boa sacada ao criar “vestidos de festa sensuais e provocativos” – e ainda assim “longe de serem vulgares” –, que parecem ótimos e ideais para eventos beneficentes (?!) e aberturas de festivais.
O Daily News e o WWD, também em 14.09, só registraram que a coleção de Miele foi “colorida”, “cheia de florais e estampas, como a de leopardo” e, claro, “sintonizada com o Brasil”.
Para além da cobertura americana, a inglesa Suzy Menkes, poderosa e simpática editora do International Herald Tribune, achou, em comentário captado pela correspondente do Chic, que Miele faz uma boa mistura dos estilos brasileiro e americano.
Camila Moraes
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