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Jefferson Kulig - Inverno 2007
29.01.2007

A mulher-robô não usa roupas sensuais que moldam seu corpo. Pelo contrário: ela é poderosamente rígida, mesmo ao usar regatas e saias em looks de gazar, tafetá e seda pura. As linhas são retas, as cores são neutras e o styling usa adornos com franjas de fibra ótica, muitas vezes fluorescentes. Isso só na primeira parte do desfile, com roupas leves, em um clima meia-estação.

Jefferson Kulig criou tranqüilo dessa vez. O estilista sempre foi acusado de ser “cabeça demais”, de ter inspirações complexas e releases viajandões que ninguém entendia. Só que o mapa da maior tendência dessa estação, o futurismo, está no seu bolso faz tempo – em seus temas, em suas constantes reflexões sobre o presente e a construção de um futuro. Nesse inverno 2007 o tema de Kulig é supercompreensível (futuro híbrido, mistura da tecnologia com o orgânico). Seus casacos em tecidos sintéticos como o TK (poliamido encorpado e colizado com filme plástico chamado filme italiano – a descrição é complicada, mas o resultado é algo parecido com um “emborrachado” mais leve), com um estilo meio Balenciaga, mais os detalhes em plástico, os bolsos que “saem” da roupa e ficam do lado de fora, os detalhes – tudo faz mais sentido. E o seu sapato-hit volta, segundo o estilista, como uma marca registrada que sempre está presente nesses oito desfiles que já fez. Problema nenhum: ele continua lindo.



Jorge Wakabara