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| Chic entrevista Mme. Rucki |
| 27.03.2007 |
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Depois de mostrar “Para onde caminha a moda”, – tema de sua primeira palestra, que aconteceu nesta segunda-feira (26.03) – Marie Rucki, diretora do Studio Berçot, recebeu alguns jornalistas na Escola São Paulo. “Foi muito agradável, parecia uma conversa em petit comitê”, disse ela sobre o primeiro encontro (são cinco ao todo). Na entrevista, Mme. Rucki falou sobre moda brasileira, moda internacional e até sobre o que vestiria hoje, se tivesse vinte e poucos anos. Confira a conversa a seguir.
O que a senhora pensa da moda brasileira? Temos bons estilistas? Para mim, a maior característica da moda brasileira é ser leve e espirituosa. Voltei a São Paulo depois de um bom tempo e os estilistas que conheço são os daquela época. Posso dizer que Gloria Coelho e Reinaldo Lourenço são verdadeiros estilistas, pois criaram um universo pessoal e trabalham em cima dele, há uma identidade. Já ouvi falar muito de Alexandre Herchcovitch e Isabela Capeto, porque são internacionais, mas não conheço seu trabalho.
Quais são os maiores nomes no mundo da moda hoje? Na França, é Nicolas Ghesquière; na Itália, Miuccia Prada e, na Inglaterra, acho que Alexander McQueen e Stella McCartney. Nos Estados Unidos não há um grande nome e, sim, grandes marcas. Os estilistas de lá se preocupam menos com a criação e mais com a mídia – não sei se eles vão durar ou se é só um momento. Calvin Klein e Donna Karan são nomes de peso, mas fazem roupas básicas, sem muita inovação.
E Marc Jacobs? Ele é um ponto de interrogação! É um ótimo estilista, afiado, construiu um império sólido e acho que se sustenta atrás disso. Ainda é cedo para dizer se seu talento vai ecoar no futuro.
Na conferência, a senhora disse que a última revolução no vestuário foi o nascimento da minissaia. Qual seria a próxima? Não tenho como saber ao certo, porque isso depende da evolução do mundo. Se tivermos cataclismas, por exemplo, muda tudo. Mas a tecnologia é a revolução silenciosa que vem ocorrendo – digo isso desde os anos 80 em minhas aulas. Já experimentamos todos os tecidos nobres (lã, seda, linho) e agora as inovações vêm da ciência. A mudança não é na forma e sim no material, em tecidos mais leves e fáceis de usar. Hoje, muitas coisas vêm do petróleo, mas tudo vai mudar quando encontrarmos uma nova matéria.
Sua escola prepara o aluno para o negócio da moda? Definitivamente, não. Não entendo nada de negócios, essa não é nossa meta. Nosso fundamento é a pesquisa de moda. Acredito que um criador deva buscar a qualidade ideal de sua roupa e, ao atingir esse patamar, o sucesso segue e a roupa vende.
Como vestir-se bem sem comprar apenas roupas caríssimas? As européias que não têm muito dinheiro é esperto: elas investem em poucas e boas peças na liquidação de uma boa loja e complementam com outras mais baratas, mais da moda. Você deve saber selecionar, entre tudo o que é proposto, as peças de boa qualidade que encaixem em seu orçamento.
Se tivesse 25 anos hoje, a senhora vestiria roupas de qual estilista? Acho que compraria em brechó! Para um consumidor que está dentro do mundo da moda, ter uma peça de um certo estilista não significa comprar todo o estilo que ele propõe. O legal é recriar.
Victoria Ceridono
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