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A estilista Ana Magalhães sabe que tem uma longa tarefa pela frente. Ela é a nova estilista da Maria Bonita Extra, marca que foi criada como filhote da Maria Bonita e que, nas mãos de Andréa Marques, ganhou fama bastante para ter seu nome igualado – nas mais novas gerações, superado – ao da marca-mãe.
Pelo mesmo processo passou a própria Andréa, que de assistente passou a estilista-chefe da Extra, sempre creditada com nome e sobrenome na imprensa, caso raro no mundo das marcas-fantasia. Devidamente estabelecida, ela agora segue carreira solo. Deve ser para evitar que o mesmo aconteça à novata que Alexandre Aquino, dono das Bonitas, não faz questão de manter Ana muito perto da imprensa. A entrevista abaixo, por exemplo, ela respondeu por telefone ao Chic sob leve supervisão. "Eles estavam me escondendo, mas agora podemos conversar”, foi uma de suas primeiras frases, seguida de um confortável riso. Esquema de guerra? Calma lá, mundinho fashion.
Mas voltemos à notícia. Antes de trocar as Minas Gerais pelo Rio de Janeiro, Aninha, como é conhecida, tocava a etiqueta própria, a Brasilianas, com a sócia Luciana Ferreira. Em 2006, começou a assinar para a Patachou, mas o projeto rendeu apenas uma coleção. Ela cedeu às investidas de Gilda Midani, que a convidou para ser seu braço direito em Paris – outro emprego que durou pouco: três meses. Desde setembro à frente da Extra, Ana promete trazer um novo tempero à sua moda. A estréia acontece em janeiro de 2008 no Fashion Rio. Em tempo: a Brasilianas foi vendida e Luciana está desenvolvendo tricôs com a estilista da Maria Bonita, Danielle Jensen.
O que é a Maria Bonita Extra para você? A Extra já era minha marca preferida, mesmo antes de me tornar a estilista eu já a usava. Ela é muito feminina e tem um toque de modernidade.
O que muda na Extra com a sua chegada? A proposta é manter o DNA da marca, desenvolvido em todos estes anos. Ela é bem feminina, mas o que eu quero é colocar um pouquinho de pimenta, acrescentar um tempero.
A Maria Bonita Extra ficou muito conhecida pelas estampas. Quais são os seus planos nessa área? Investimos muito e aumentamos o número de estampas para este inverno. Queremos evitar que as pessoas se encontrem na mesma festa usando a mesma estampa da Extra e a única forma de evitarmos que isto aconteça é desenvolvendo muitos padrões – são quase vinte! Temos muitos colaboradores, mas não vamos trabalhar com um artista específico; o desenvolvimento é interno.
Qual é o tema das estampas de inverno? Exploramos muito o traço a mão e o universo da Extra, que vem bem desenhado, com laços e uma cara bem menina.
Qual é a maior aposta? Amamos as perfectos! Desenvolvemos várias versões e toda equipe está apaixonada e quer uma! Outra grande aposta são os vestidos, que estão lindos. Eu sempre uso vestidos; é difícil me ver usando outra coisa.
O que as clientes Extra podem esperar da próxima coleção? Apostamos muito no curto. A cliente já o assimilou e usa com legging, calça skinny ou meia-calça grossa. Estas peças são para quem já aprendeu a usar os curtos e até mesmo para quem não usava. O nosso inverno é ultracolorido, com cores florescentes, pink, turquesa e amarelo-limão, além das cores básicas e cinzas. Já as formas são mais fofas e a proporção é mais longe do corpo.
Como vai ser o desfile? Queremos dar uma supermudada no desfile. O bacana da Extra é que você encontra na loja exatamente o que vê na passarela. Esta é a verdadeira proposta de um desfile. A diferença é que desta vez vamos entrar com peças conceituais – e estas peças irão para as lojas também. Trabalharemos mais com os acessórios.
O que muda e o que continua nos acessórios? Esta linha está crescendo bastante. Na coleção teremos muitos colares, pulseiras, carteiras, pingentes. Os acessórios são importantes porque mudam todo o visual e transformam o básico.
Quais são os planos para a Brasilianas? Infelizmente não pude continuar, porque o trabalho aqui na Extra precisa de dedicação. A Brasilianas foi vendida e quem a assina agora é uma estilista mineira, a Juliana Bocchese.
Adriane Hagedorn
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