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| São Paulo | Inverno 2008 | Projeto Lab
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| Projeto Lab - Inverno 2008 |
| 28.11.2007 |
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Vamos falar a verdade: o Projeto Lab sempre foi encarado como um patinho feio. O nome já avisa: é um espaço "laboratorial", de experimentos. Só que geralmente ele é marcado por ser experimental até demais, e o pessoal ficava irritado com a falta de zelo no corte e costura em si: de que vale um apreço pela invenção quando a execução deixa a desejar?
Só que essa leva do Projeto Lab surpreendeu. Chegaram a brincar na primeira fila: "Hoje é o dia do 'acertei na modelagem'!". Alfinetes à parte, o salto na qualidade foi óbvio. Maior exemplo é a Valencio Gomes, marca masculina assinada por uma mulher, Karen Valencio Gomes, que buscou a personagem instigante de O processo, de Franz Kafka, para mostrar looks que desconstróem a alfaiataria tradicional masculina, com sobreposições esquisitonas, estruturas rígidas e propositalmente assimétricas, tentativas de representar em imagem as contradições daquele homem inserido num mundo que lhe é estranho, que lhe confunde. O release dá a deixa: "os acessórios (...) exigem a revisão das estruturas". Repensemos a manga do paletó, o guarda-chuva, a mochila, a calça - por que eles têm que ser do jeito que estamos acostumados, se já não nos sentimos acostumados com o meio, que nos coloca em situações absurdas (e lá vem O processo, de novo, dos anos 20 do século do passado, cujas reflexões ainda são tão atuais).
Raquel Gaeta trouxe uma mulher cool e intelectual inspirada na obra Carol, da escritora Patricia Highsmith. O livro aborda uma relação entre mulheres, e os looks de Raquel privilegiam uma sensualidade que não está no decotão, mas no charme de uma roupa bem cortada e feminina. As bermudas são ótimas, e tudo é muito bem feito. Pantalona lindíssima - para quem quer se aventurar nessa peça que está ensaiando uma volta faz algumas temporadas, vale a aposta. O vestido volumoso, azul listrado com a barra mostarda, é bonito mas pareceu meio perdido no meio dos outros looks, que sugerem um foco em uma cliente menos garotinha.
Tony Jr, por sua vez, já tem uma história de garimpo fashion - seu brechó ficava em uma vila na Rua Augusta, com peças superselecionadas e algumas customizadas por ele. Agora assumindo de vez o lado estilista, ele se jogou na curtição dos anos 70 nessa estréia com mulheres poderosas de meia-pata, vestidos esvoaçantes, macacão, patchwork coloridão, cabelo armado. A trilha, que começou com um sax kitsch, dava a deixa: "Gotta lot to love", dizia a disco music. Ou seja: roupa para mulheres empolgadas para amar e se aventurar.
André Phergom já tem uma história com o fitness, moda praia, streetwear e surfwear (ele trabalhou em todos os segmentos na sua trajetória como estilista até agora, em empresas diversas como Adriana Degreas e Ecko). No seu trabalho autoral, se afasta desses campos e vai para algo mais refinado, para homens e mulheres. Tem peças bacanas, inclusive em alfaiataria... mas parece que sua identidade como criador ainda está em formação. A ver.
Jorge Wakabara
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