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De Brasília para as passarelas cariocas do Fashion Rio. Ou melhor: de Tocantins. Kátia Ferreira, 37 anos, nascida em Tocantins e adotada por Brasília há 34, é a responsável pelo estilo da Apoena, uma das grifes estreantes dessa edição de inverno 2008 da semana de moda carioca.
Sabia que você já viu peças da Apoena, por mais que nunca tenha ouvido falar da marca? É só se lembrar daquele verão 2005 / 2006, o dos vestidões longos... A personagem Vitória, da novela Belíssima, interpretada por Claudia Abreu usava vestidos da marca.
A Apoena tem uma história interessante porque trabalha segundo uma filosofia de consciência socioambiental. Confira a nossa conversa com Kátia para saber mais.
Por que a preocupação social por trás da Apoena? A Apoena é uma marca de moda como todas as outras confecções, mas tem uma preocupação social e ambiental. Isso não é mérito e deveria fazer parte de qualquer empresário que queira gerir um negócio para o futuro, que vá além de lucro. Eu quero crescer, mas não cercada de miséria à minha volta. Quero a Apoena em um Brasil melhor.
Como essa idéia funciona na prática? Temos, no total, 43 costureiras e 600 bordadeiras. Elas são divididas em associações de produção e cada uma responde por uma produção. Ou seja: uma faz ecobag, outra é responsável pelas saias, outra pelas blusas, assim por diante. São dez grupos. A unidade acontece porque uma pessoa só faz o estilo e desenha [a própria Kátia]. Na central, estão as áreas de modelagem e corte – e as peças seguem para bordar fora daqui.
O que você fazia antes? Era funcionária pública. Não que eu tenha me decepcionado com o serviço público, mas me encantei com a moda. Eu sempre gostei, na verdade, desde criança. Eu fazia roupa de boneca, as pessoas perguntavam para a minha mãe se era eu mesma que fazia.
Vocês vão sair do Capital Fashion Week, a semana de moda do Distrito Federal? Não. Vamos continuar fazendo, prestigiando a cidade. Tenho muito amor por Brasília.
E por que o Fashion Rio? Você foi convidada? Fui convidada. Mandei algumas peças e eles gostaram muito. Quer dizer, eu acho que gostaram, né? [Risos] Fiquei sabendo o mês passado e estamos correndo.
A coleção nova está em que ponto? Já temos alguma coisa no caminho. Estamos na oitava edição do Fashion Business [a feira de negócios do Fashion Rio], portanto a coleção já estava andando. Só que para um desfile precisamos fazer algo mais, além do comercial.
Conte-nos alguns detalhes sobre a coleção. O styling é do Pedro Salles. A coleção está sendo construída. Será um passeio pelos bordados do mundo, estamos lutando com pilotagem [peça-piloto é aquela que vai servir de modelo para o resto da produção]. Muita coisa você acha que vai ficar lindo e fica horrível. [Risos] Criar uma coisa nova é um risco; a gente pilota muitas vezes, uma média de quatro.
Como é o processo de bordar? Primeiro fazemos uma bandeira [um modelo do bordado em um tecido], depois passamos para peça. Às vezes a peça fica torta quando bordamos, tem que fazer tudo de novo. As meninas ficam achando que eu mudo de idéia toda hora e eu digo: “é a idéia que se aprimorou”!
Segredinho: temos mais detalhes sobre a coleção nova. Kátia não contou na entrevista, mas os bordados devem ser inspirados em lenços portugueses. É possível que você veja, por exemplo, pied-de-poule e pois... em bordados. Também será a primeira vez que a Apoena cria tricôs.
Jorge Wakabara
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