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DTA - Inverno 2008
08.01.2008
É a segunda vez que a DTA desfila no Fashion Rio. Na temporada de verão 2008, eles surpreenderam ao colocar na passarela tudo o que a princípio não se espera de uma marca com viés bem comercial: moda conceitual.

Sendo assim, nada mais natural que exigir mais da marca nesse inverno. Nos bastidores, a diretora de estilo Regina Vidal explicava que o desfile começaria suave como um balé (e começou mesmo), mas sem referência literal (verdade). Muito cinza, bastante tricô com moletom, sobreposições leves e românticas em bege mais uma meia-calça preta divertida, com listras brancas verticais na lateral que lembravam sportswear e quebravam o clima donzelinha. Nessa hora ficou bem clara a referência à bailarina Doris Eaton Travis, nascida em março de 1904 e viva até hoje, ex-performer da Broadway (no mítico Ziegfeld Follies) e ex-atriz de cinema. O visual mais icônico de Doris é tipo figurino mesmo, da década de 20 - enfeite na cabeça, como nas modelos da DTA, vestido curto com a saia em evasê, uma calça (inclusive usada por baixo do vestido) tipo Aladin, volumosa com a barra justa.

A coleção se inspirou, portanto, em dança - do balé, passaria por um clima anos 70 em jeans de lavagem mais clara, da Santista: boca de sino, hot pant com cintura bem alta, jardineira para eles, detalhes de babadinhos.

E aí... começa uma sensação de "já vi essa idéia antes na DTA da temporada passada", primeiro com o segmento Teatro Municipal, nas misturas de guarda-roupa masculino em peças femininas com predominância de preto e branco; e na última parte, streetdance-hip-hop, com mistura de de cores fortes (roxo e amarelo, por exemplo).

Dá para perceber que a grife procura reforçar características para que identifiquemos uma personalidade nela. A apresentação foi bem-feita, com momentos bonitos, mas o fato é que faz falta o toque original que marcou a coleção anterior.


Jorge Wakabara