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| Rio de Janeiro | Inverno 2008 | Random
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| Random - Inverno 2008 |
| 12.01.2008 |
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Em uma matéria que o Chic fez no ano passado, perguntamos a opinião das pessoas a respeito do último desfile da Balenciaga. Vivi Whiteman, da Folha de S.Paulo, disse que aquelas roupas pareciam casulos, e isso era estranho porque a gente já vivia num momento muito individualista e cerceado para desejarmos nos isolar ainda mais (Vivi, me corrija se eu estou errado porque não tenho sua resposta exata aqui!).
Esse discurso foi a minha maior lembrança ao assistir o desfile da Random, com aquelas espécies de burcas contemporâneas, roupas para se isolar, para se afastar, para se esconder. Gigantescos casacos em matelassê, golas altas, botas sete-léguas enormes, cachecol gigante se arrastando. Sentimos medo de o outro chegar perto? O pavor é tanto que nos deixa gelados?
Não sei se houve um discurso sobre moda nesse desfile – talvez ele tenha sido “conceitual demais”. O que ficou foi uma reflexão. As roupas servem para quê? Se antes, no começo do século passado, a moda nos deu chapéus enormes com um metro de diâmetro que não permitia as mulheres conversarem – e tudo isso por pura extravagância – hoje esses chapéus serviriam como ferramenta de defesa. Às vezes dá vontade mesmo de se isolar do mundo... mas não deveríamos lutar contra essa vontade?
Jorge Wakabara
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