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Qual é a história desta coleção? É um desfile para celebrar o centenário da imigração japonesa, o primeiro navio que chegou no Brasil, em 1908. A coleção conta a história de Kani Miadaira, que veio grávida e aqui no Brasil teve a sua filha Uto. Assim que chegou no Brasil, Kani desconstruiu seus quimonos e os de seu marido para construir peças ocidentais. Uto, a filha do casal, é a primeira nissei do Brasil e adotou o nome de Bartira, porque gostou muito da história da índia brasileira. A pesquisa foi feita sobre a vida dela, Bartira, uma cozinheira de mão cheia que preparava pratos como paella e charutinhos com folhas de uva. Para mim este é o real sentido do centenário. Esta mistura de receitas e segredos de cozinha, esta mistura de raças que constroem novas histórias.
Você conheceu a Uto? Não, ela faleceu em novembro do ano passado. Mas falei muito com a neta dela.
Encontrou registros destas vestes feitas a partir de quimonos? As peças não existiam mais. A pesquisa foi feita sobre fotos, principalmente dos anos 50.
Quais são as formas da coleção? Godês, semi-godês, evasês e formas mais afastadas do corpo. A cintura é bem alta e marcada com elástico. A coleção foi trabalhada em cima dessa história dos quimonos, mas esta é uma peça que não será vista na passarela. A coleção é como a Uto, uma grande mistura de referências, várias formas, tecidos, cores e estampas.
Quais são as estampas? São listras, poás, florais e folhagens com tucanos, a imagem de uma japonesa conhecendo o Brasil.
As bolsas ganham destaque na coleção... São bolsas grandes e com muitos materiais e estampas. Elas têm uma cara dos anos de 1900 e um ar moderno por conta do efeito da cor forte que se destaca por baixo das rendas.
A tua família também chegou nesse mesmo período dos Miadaira? Não, eles chegaram 20 anos mais tarde. Usei também alguns registros do meu marido, que vem de família de fotógrafos e tem um acervo enorme. Da minha família usei muitas fotos e algumas peças que serviram como ponto de partida para a coleção, como uma camisa Pierre Cardin do meu avô, que até parecia de mulher, algumas calças dele e alguns vestidos da minha vó, com cintura marcada com elástico, bem com cara de vestidinho de vovó.
Adriane Hagedorn
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