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| Uma camiseta não é uma camiseta, não é uma camiseta |
| 19.02.2008 |
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Ganhei uma camiseta de uma afilhada.
Normal uma madrinha ganhar um presente de uma afilhada? Seria. Não fosse a camiseta que foi, nem a afilhada quem é.
Minha afilhada tem 3 anos de idade, cachos dourados e um olho para moda, no mínimo, raro. A camiseta que recebi foi comprada por ela em Nova York, na loja Comme des Garçons, e faz parte da série calcada na arte de Geraldo de Barros. O multiartista brasileiro produziu fotos abstratas entre os anos 1940 e 1950 e esse trabalho atraiu a atenção de Rei Kawakubo, a designer da marca.
É interessantíssima, pois é branca e preta, tem uma barra de listras nos punhos e na bainha e repete, perto do decote, várias vezes, bem grande, o nome do artista; na frente, um pouco deslocado para o lado, há uma foto tirada por Geraldo.
Nada nela é óbvia, nada nela é reconhecível. Desconcertante e estranha como se você estivesse usando um misto de camiseta do Corinthians com uma de publicidade de político em época de eleições. Nada mais hi-lo, nada mais fashion.
Olho de novo a camiseta e vejo como pequenos detalhes podem transformar uma peça tão básica em um acontecimento de moda. A mistura das listras com o posicionamento dos outros elementos, o entendimento da obra do artista brasileiro, tudo isso resulta numa camsieta que é uma camiseta, mas não é uma camiseta. É uma nova obra de arte assinada por dois artistas que nunca se conheceram, mas que sempre se amaram: Geraldo de Barros e Rei Kawakubo.
Sugiro que ela seja um dos símbolos do centenário da imigração japonesa para o Brasil. Fusão e síntese total - não é uma idéia perfeita?
Antonia Olivetto, muito obrigada, viu? A madrinha adorou!
Beijos,


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