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| O inverno rendado de Miuccia Prada |
| 19.02.2008 |
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Chega a ser irônico que Miuccia Prada tenha apresentado sua coleção de inverno, na semana de moda de Milão, no mesmo dia em que Fidel Castro renunciou ao poder. Enqüanto em Cuba o velho governante se retira de cena, a estilista que assumiu os negócios de moda da família vinda diretamente do Partido Comunista italiano, e que hoje prefere pensar a realidade através da passarela, continua a firmar sua importância no mundo da moda.
E o inverno feminino da Prada, pode-se dizer, tem um quê comunista nos primeiros looks - vestidões pretos, na altura do joelho, de aura monástica, ainda que bem femininos.
Em seguida, a estilista desenvolve as dicas que deu durante seu desfile masculino, em janeiro. Vêm de novo o top/corpete na mesma modelagem, cobrindo as camisas masculinas; o tecido brilhante no vestido, marcando o centro do corpo; as golas altas e postiças. Até os looks nude reaparecem.
Mas é na renda florida e na passamanaria artesanal que Miuccia faz sua estação, construindo saias e vestidos (em preto, azul, bege e um rápido laranja), até uma calça - tão rara quanto a modelo negra que fez parte do casting. Apesar da transparência extravagante, a imagem que a marca passa é de uma sensualidade velada, quase dura. É como olhar para uma freira e achá-la sexy. Miuccia, mais uma vez, bate o pé pra fazer o mundinho da moda pensar um pouco.
Eduardo Viveiros
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