O mundo da moda perde YSL
02.06.2008

O estilista argeliano Yves-Mathieu Saint-Laurent faleceu neste domingo (01.06), aos 71 anos, e a causa de sua morte não foi divulgada. Segundo a agência de notícia Reuters, Pierre Bergé declarou à radio parisiense RTL que “o estilista havia sido diagnosticado com tumor cerebral no ano passado e morreu no domingo em Paris”.

Um dos últimos grandes criadores do século XX, Yves Saint Laurent, ao lado de Coco Chanel e Christian Dior, colocou Paris no centro da moda. Seu parceiro Bergé, falando sobre a importância do estilista para a história da moda, disse à rádio France Info: “Chanel deu liberdade às mulheres. Yves Saint Laurent lhes deu poder”. Não há como contestar a frase de Bergé: YSL revelou a feminilidade em trajes masculinos, vestindo mulheres com smoking, na coleção de 1966.

Afastado da direção de estilo de sua marca desde o ano de 2002, Yves vinha se mostrando depressivo e recluso. Em 2001, o estilista abriu as portas de sua casa para o cineasta David Teboul, que produziu o documentário Yves Saint Laurent, 5, Avenue Marceau, 75116 Paris. O resultado o agradou tanto, que ele autorizou que o mesmo cineasta rodasse a segunda produção, com o título Yves Saint Laurent: His Life and Times. No segundo documentário, YSL fala abertamente sobre o uso abusivo de remédios e álcool, com frases bombásticas como “não há criação sem dor”, ou “quando desenho um vestido, sofro enormemente”.

A sua entrada na moda foi em grande estilo. Em 1957, o argeliano assumiu a direção de estilo da Maison de Christian Dior, após a morte do costureiro, em 1957. Um ano mais tarde, ele criava a marca com o seu nome, em sociedade com Pierre Bergé, seu parceiro contínuo. As suas criações vestiram as mulheres mais influentes, como a princesa Grace de Mônaco e a atriz Catherine Deneuve, para quem ele criou o figurino de A Bela da Tarde.

Na tarde de domingo, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, declarou que o estilista “estava certo de que a beleza era um luxo que todo homem e mulher precisam”. O presidente ainda disse que o estilista “era alguém muito tímido e introvertido, alguém que tinha poucos amigos e se escondia do mundo”.

Na próxima sexta-feira (06.06), será realizada uma missa em memória do estilista, na igreja Saint Roch em Paris.