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Maria Garcia - Verão 2009
22.06.2008
A cool girl da Maria Garcia vai para Coney Island, uma ilha cheia de mitos e história onde os novaiorquinos descolados costumavam passar as férias e se divertir. Nessa estréia no SPFW, a segunda marca da Huis Clos não decepciona as suas clientes: uma moda easy-wearing, com uma diversidade completa de peças - de vestido pintado à mão a uma ótima calça azul com cós branco que acaba bem no tornozelo, milímetros antes da reedição do Dockside da Samello (rosa clarinho) começar. Quem é que conseguiria fazer uma releitura do Dockside sem ficar kitsch? Pois bem.

A Maria Garcia tem muitos segredos, que aos poucos, a medida que ela fizer mais desfiles e alimentar sua imagem de marca, iremos descobrindo. Será o tom de rosa, muito específico, combinado com o o ocre que permeia também outros momentos da coleção (como na estampa "quase-não-vejo" de peixes no fundo lilás)? Será a estampa de velas em moulage formando "bicos", tão navy mas ao mesmo tempo com uma carinha vintage chic? Os bordados de paetês metálicos foscos, que passam longe do brilho-perua? O look degradê, na verdade um tear pintado à mão? E todos os outros looks pintados à mão, que poderiam envelhecer a imagem mas, ao contrário, são rejuvenecedores?

Camila Cutolo, a estilista da grife, é a prova de que o cool só é verdadeiramente cool quando não é forçado, ao explicar que além de uma música de Lou Reed e de um livro de fotografias, uma cena do A.I. Inteligência Artificial, filme ultrapop mainstream, entrou no caldeirão de inspirações da marca - mais especificamente, a cena em que Coney Island aparece no fundo do mar. Por isso o tom navy em momentos da coleção. O desfile de estréia da grife nessa SPFW não foi extremamente sensacional mesmo porque Maria Garcia não é afeita a extremos. Ela é despretenciosa. Mostra a que veio. Agrada e aproxima. E, de levinho, ocupa seu lugar entre as mais influentes marcas de moda jovem feminina do Brasil.

Jorge Wakabara