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O Claro Rio Summer foi uma grande e animada festa. Desde o jingle eletrizante, de samba+funk, que cobria o vídeo com imagens da cidade – peça que era apresentada antes de cada desfile e levantava a platéia –, até as recepções no final do dia nas residências do high society carioca, toda noite havia mais de uma festa em algum ponto nobre da zona sul.
Numa dessas, que resistiu ao nascer do sol, nem o impecável Valentino aguentou: deu folga para o laquê e sucumbiu ao batuque da bateria da Grande Rio, intimada para a ocasião, com passista e tudo o mais. Assim como ele, rebolaram, mais uma vez, os convidados gringos capitaneados por Cacá de Souza. Eram esses jornalistas, compradores e jet-setters o verdadeiro alvo de Nizan Guanaes, criador do evento.
Com tanta noitada, dava para levar o Rio Summer a sério? Até que sim. No dia seguinte, lá estavam eles todos nas salas de desfiles, treinando a arte de sorrir sem parar. As apresentações não começavam antes do meio-dia.
Mas, se por um lado as filas A estavam lotadas, o mesmo não se podia dizer dos show rooms, também montados no Forte de Copacabana. No final da tarde do último dia de evento, havia expositor com o bloco de pedidos intocado. Entre eles, marcas que desfilaram no CRS, como Isabela Capeto, Totem e Triya.
"Não estou tendo tempo de ver os show rooms", confessou Sarah Lerfel, dona da Colette, uma das convidadas mais importantes. Antes de o evento terminar, ela deu uma escapada para os estandes. Levou "algumas peças" – Jo de Mer, Osklen, Glorinha Paranaguá e Blue Man – e observou: "Nem todos estão preparados para a venda. Houve quem não soubesse informar preço e variação de cores".
A palavra "algumas" surgiu novamente. "Comprei apenas algumas peças da Adriana Degreas", disse Andrea Tocco, da Barneys, de Nova York. Glorinha Paranaguá fechou "algumas" vendas (Inglaterra, França e EUA). A única exceção era a Iódice, que "vendeu bem". Mas, como é comum no meio da moda, ninguém revelou números.
De uma maneira geral, as vendas não deram samba. Foram as festas que sufocaram os negócios; o esquema de vendas era amador ou a moda brasileira ficou relegada ao brilha-mas-não-vende, como questinou Gloria Kalil no primeiro Fashion Marketing, em 2006? A julgar pelo olhar dos jornalistas internacionais, é uma questão de foco: o deles está apontado para o clichê do Brasil de Zé Carioca. O que se quer do país é só praia.
"A alfaiataria brasileira não é o máximo. E não precisa ser. Já tem quem faça isso muito bem", disse Hilary Alexander, do International Herald Tribune. "Já os biquínis são maravilhooosos", completou. "Assim como Balenciaga perseguia a manga perfeita, o Brasil procura o biquíni perfeito. E eles são maravilhooosos; não precisa de mais nada", concordou Tim Blanks, do site Style. "Gosto quando a moda brasileira traduz a joie de vivre do Rio e dos brasileiros. O trabalho manual e todas aquelas cores nos biquínis são únicas", reiterou Hamish Bowles, da Vogue America.
O recado está dado. Se a intenção era vender um modo de vida que combina festa, alegria, informalidade, caipirinha e samba no pé – nossa especialidade, seja no Leblon ou no morro –, então o Claro Rio Summer foi mesmo um sucesso.
Milene Chaves. Colaboraram Gilberto Junior e Mariana Coelho

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