O melhor do ano na moda: que 2009 traga boas novidades!
01.01.2009
Alô, Chics!

Constato – passada – que fui a única a dar um depoimento negativo sobre meu campo de atuação, a moda, neste ano de 2008, para uma matéria chamada As boas surpresas de 2008, publicada pelo caderno Feminino do Estado de São Paulo.

Todo mundo apontou várias gratas revelações em suas áreas profissionais, menos eu! Fiquei encafifada; será que eu estava de mau humor no dia em que fui entrevistada? Será que eu não entendi que a matéria era para ser positiva? Será que eu estou ficando exigente demais? Será o quê, meu Deus?

Olhem só: o Heitor Dhalia, cineasta que dirigiu e escreveu O cheiro do ralo (que amei!) teve muitas boas surpresas em 2008: adorou o último filme do Woody Allen, descobriu uma atriz e um diretor de fotografia, teve uma revelação sobre a dramaturgia e chegou mesmo a redescobrir dois irmãos cineastas e dramaturgos franceses. Ou seja, teve um ano ótimo esse rapaz!

O Charles Gavin, baterista dos Titãs, não ficou atrás: adorou o show do Lenine, se emocionou com a eterna combatividade e novidade de um disco do Ney Matogrosso, se entusiasmou com as composições do Marcelo Camelo, reverenciou a criatividade do multiinstrumentista Curumin, só para citar alguns dos eventos musicais que deleitaram sua existência no ano que terminou.

Somente eu não consegui dar uma só nota dez para a moda brasileira ou internacional em 2008. Resolvi aprofundar um pouco o meu questionamento e descobrir a razão. Para o bem e para o mal, moda é ruptura. Ela vive de ser portadora do novo, do diferente. E 2008 não trouxe nenhum corte, nenhum rumo alternativo, nada que sugerisse um novo tempo ou um novo caminho.

Se eu fosse chef de cozinha, teria novidades para listar: a nova cozinha espanhola, por exemplo, como, aliás, fez Helena Rizzo, do premiado restaurante Maní. Até um ingrediente de cozinha novo ela descobriu! Se eu fosse electronic freak estaria tonta de tanta ruptura em telefonia, aparelhos de som, i-Pods e o e-diabo que andam mudando a maneira do mundo se comunicar e se relacionar.

Mas, na moda, o que tivemos de novo? Algum tecido que muda de temperatura conforme a mudança do clima? Que acenda e clareie os lugares escuros? Que mude de cor conforme nosso desejo ou a luminosidade do ambiente? Que impeça que bactérias nos ataquem ou que apanhemos algum vírus e não fiquemos resfriados?

Apareceu, por acaso, algum estilista que propôs uma forma nova? Alguém descobriu um xale étnico novo para substituir a pashmina? Uma malha que substitua a viscolycra? A bolsa Chanel? O jeans? O sapato de plataforma? A bata indiana? Os babados? A minissaia? O biquíni tomara-que-caia? Ora, façam o favor!

E houve alguma mudança na legislação das cotas internacionais de importação e de exportação? Os juros caíram no setor têxtil? As leis trabalhistas facilitaram alguma coisa na vida de patrões e empregados? Alguma marca brasileira conseguiu se firmar no exterior? Aumentamos nossa exportação de moda?

Em resumo, eu tive bons motivos para ser a única a não ter nada de grandioso ou de novo para contar para a repórter do Estadão. Para ser "honestésima" - do ponto de vista pessoal –, fui abençoada com alegrias neste ano. Lancei áudio-books, relancei o Chic[érrimo], agora pela Ediouro, ganhei o Prêmio Moda Brasil, criado pelo Zé Mauricio Machline e pela Tininha Kós, na categoria Melhor Jornalista de Moda, além do prêmio – que muito me encheu de orgulho – de o melhor site, com o Chic!

Mas, não posso perder as estribeiras e achar que, porque foi um bom ano para mim, tenha sido também um bom ano para a moda brasileira! Neste ano de 2009, vou fazer o seguinte: pegar um dos Moleskines que ganhei de Natal e escrever todos os dias (ou quando houver) alguma coisa que me chame a atenção sobre a moda. Quem sabe no final do ano eu possa dar uma enorme entrevista sobre as boas surpresas da moda em 2009? Nem que sejam todas pequenininhas, podendo passar despercebidas num balanção deste tipo. Estou devendo (e a moda também!). Feliz ano novo para todo mundo.

Bjs,