4 perguntas para Marie Rucki
14.04.2009

Se você gosta do trabalho de Gloria Coelho, Reinaldo Lourenço e Lorenzo Merlino, pode agradecer a Marie Rucki. Essa senhorinha francesa da foto ao lado, de laço azul nos cabelos e roupas tradicionais - camisa e saia reta até as canelas são seu uniforme -, é uma potência no que diz respeito à moda.

Diretora do Studio Berçot, uma das mais famosas escolas de moda parisienses, ela teve esses três estilistas brasileiros como alunos e vem angariando mais fãs por aqui. É que, pelo terceiro ano consecutivo, Mme. Rucki veio a São Paulo para dar cinco dias de palestras e workshops, em que aborda temas atuais relacionados ao assunto, colocando a plateia de fashionistas para pensar. A seguir, você lê uma breve entrevista com a expert.


O tema de seu seminário é a relação entre moda e cinema. A senhora pode nos adiantar um breve panorama sobre este assunto?
Nossa intenção é explicar que a criatividade dos estilistas depende de toda uma cultura contemporânea e que o cinema faz parte disso. Através de alguns filmes, vamos explicar essa relação que existe entre a moda e o estilista. É a visão que eu penso que ele teve, a emoção que sentiu ao assistir determinado filme.

Sua experiência com os workshops no Brasil é satisfatória? Como classifica o nível intelectual, de criatividade e de talento dos alunos que assistem às aulas?
Faz anos que dou workshops, mas não são sempre da mesma maneira. Com relação aos alunos daqui, acredito que eles têm a maior qualidade, que é a de querer aprender, conhecer outras formas de pensar. Curiosidade de espírito é uma qualidade enorme.

Com a crise econômica, como devem se comportar as tendências? As grifes devem continuar a propor novas invenções de moda como a recente mania dos grandes acessórios ou mesmo os sapatos esculturais? Haverá espaço para isso?
Não posso dizer o que Dior e Lanvin farão, porque eles não fazem confidências. O luxo é algo que sempre terá mercado, pois apesar da crise, os ricos vão sempre consumir. Essas roupas das grandes marcas são caras e não são feitas para qualquer público, por isso a crise não muda muitas coisas. Mas ela vai fazer os estilistas pensarem mais em seus trabalhos, pois um bom estilista aproveita qualquer situação. Um exemplo é a alta-costura durante a 2ª Guerra.

Anna Wintour [diretora da Vogue América] ou Carine Roitfeld [diretora da Vogue França]?
Conheço melhor a Carine do que a Anna. Acho que sua abordagem está mais ligada à identidade de moda e à aventura; a de Anna está ligada ao êxito, ao sucesso. Mas não tenho certeza disso.







Janaína Rosa
Marie Rucki conversou com o Chic, ontem (13.04), entre o workshop e a palestra
Marie Rucki conversou com o Chic, ontem (13.04), entre o workshop e a palestra