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| Marie Rucki e Fabrice Paineau: dia 2 |
| 15.04.2009 |
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Nesta terça-feira (14.04), no segundo dia de palestras promovidas pela
Escola São Paulo, Marie Rucki, diretora do Studio Berçot, e Fabrice Paineau,
jornalista de moda e também professor de artes da instituição, abordaram o
tema "O cinema como parte integrante do sistema da moda".
O tempo foi dividido entre as exibições de trechos de dois filmes. O
documentário americano de 1975 Grey Gardens, Albert e David Maysles, e o
tcheco de 1966 Daisies, de Vera Chytilová.
O primeiro mostra a maneira excêntrica em que viviam as ex-socialites Edith
Bouvier Beale e sua filha Edie (tia e prima de Jacqueline Kennedy Onassis)
numa mansão em East Hampton. Não haveria nada de mais se dois anos antes de
filmá-las, autoridades da região não tivessem tentado expulsá-las da casa
alegando falta de condições sanitárias. Marie fazia questão de apontar como, mesmo na pobreza, as duas mulheres continuavam com a "vontade do luxo", produzindo roupas elaboradas com trapos. A história, que virou cult nos últimos anos, virou filme para a TV que estreia agora nos EUA, com Drew Barrymore e Jessica Lange.
No outro, duas adolescentes chamadas
Marie contestam e subvertem as regras vigentes em sequências surrealistas e
dadaístas - como a que se fartam e destroem simultaneamente um banquete, com
direito a desfile de moda em cima da mesa.
Ambos reforçam um conceito repetido pelos palestrantes a exaustão neste
segundo dia: a decadência. "A partir dos anos 1980 a moda passou a ser
decadente", disparou a diretora do Studio Berçot. Mas não há um viés
negativo. Pelo contrário, é como a "criação pela destruição", diz Marie
Ruckie. Tanto que, para ela, é esse elemento decadente que faz do trabalho
de Marc Jacobs um sucesso. "Ele foi o primeiro a identificar a decadência da
arte americana", exemplifica. O estilista, inclusive, criou uma bolsa
batizada de Little Edie em homenagem ao documentário.
A cada trecho passado, os palestrantes identificavam possíveis inspirações
para outros estilistas: as cores do documentário lembram as primeiras
coleções da Prada, as roupas das Maries do segundo filme, a coleção da
Chloé. E por aí vai.
Ao fim do evento, foi exibido o desfile de Quentin Veron, de 22 anos. Com um
trabalho constantemente inspirado em Tim Burton, as protagonistas na
apresentação são as peles. Seria um bom exemplo de décadence avec élégance?
Maira Goldschmidt

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