Entrevista Chic: Ocimar Versolato, em forma, afirma: "Não ligo para prestígio"
08.05.2009

O estilista Ocimar Versolato recebeu a imprensa na manhã da quinta-feira (07.05) para apresentar a sua nova empreitada: uma marca de cosméticos. O Chic aproveitou para bater um papo com o polêmico designer, que também é autor do livro Vestido em chamas, uma coleção de crônicas sobre sua carreira na moda. 


Você trocou a moda pela beleza?
Não, não. Apesar do meu foco agora ser a nova marca de cosméticos, continuo criando. Inclusive devo voltar a desfilar na semana de moda de alta costura, em Paris, em janeiro.

E no Brasil? Se o SPFW te convidasse para desfilar, você toparia?
Por que aceitaria? Pra quê? Quero desfilar no Brasil, mas não acredito mais no prêt-à-porter. Ele está em crise no mundo todo. Quem vai comprar uma peça que custa metade de outra de alta costura e dez vezes mais do que uma igual numa fast-fashion?

Para você, qual é o estilista brasileiro mais talentoso hoje?
Não sei, não conheço o trabalho de nenhum. Não dá mais para ficar vendo desfile, quem aguenta? Cansei desse negócio de um monte de mulher passando, uma atrás da outra. Quero coisas diferentes.

A Neon, na temporada passada, fez uma apresentação diferente, que fugia do padrão da passarela, com as modelos posando...
Ah, querida, isso eu já fiz e há pelo menos dez anos!

Você diz no seu livro que foi o criador do vestido bandagem. Como é ver que a peça hoje está na moda e não receber o crédito?
Vou te contar o que aconteceu: o Hervé [Léger] criou o vestido de faixas, mas com modelagem larga. Na época eu trabalhava com ele e disse que ele devia fazê-los justíssimos. Ele disse que não, porque ficava vulgar. Aí, em uma coleção, fizemos dez vestidos bandagem, sete largos e três justos. Claro que os justos fizeram o maior sucesso. Mas não me importa, não ligo para crédito, prestígio. Eu sei o que faço, sei que sou bom, então não preciso de ninguém me afirmando isso.

Você sempre criticou a ideia de estilistas pesquisarem tendências. Na sua opinião, qual deve ser o caminho da pesquisa de uma coleção?
Não existe pesquisa! Você imagina o Karl Lagerfeld, de luvinha, olhando referência em Xangai? Tem que vir de você, do seu conhecimento. Mas para isso você não pode ser qualquer um. Sempre digo que meus clientes têm que ser mais burros que eu, porque só assim eu vou poder passar sabedoria e cultura a eles.

Qual é a sua relação com a Marie Rucki?
Adoro ela. Mas passei de admirador a aluno, a amigo e, hoje em dia, sou igual ela. Não preciso ficar babando ovo para parecer moderninho. Ela vem aqui, tira sarro do povo e todo mundo aplaude.


Vitória Guimarães. Colaborou Janaína Rosa







Vitória Guimarães
Ocimar Versolato: de volta à ativa
Ocimar Versolato: de volta à ativa