Chic viu: Coco avant Chanel
29.07.2009

Aqui no Brasil o ritmo é de contagem regressiva para a estreia (só em 30.10) de Coco avant Chanel, filme de Anne Fontaine. Mas lá em Paris, praticamente já saiu de cartaz - nessa semana, só uma sala exibe o longa e ainda em horários bem esparsos. Mesmo assim, o Chic conseguiu assistir à sessão.

Os 110 minutos de filme são mesmo um prato cheio para fashionistas, mas não vá com muita sede ao pote - afinal, a trama mostra a vida da estilista antes de ela ser estilista consagrada. A história começa com Gabrielle menina sendo deixada num orfanato por um pai que sequer olha para trás. Sem muitos detalhes desse período, a sequência pula para Chanel já adulta cantando Qui qu’a vu Coco?, música que lhe deu o apelido.

A partir daí, Coco muda de cidade, de roupa - abandona os vestidos caretas e fechados do começo do século 20 e invade o guarda-roupa masculino -, corta os cabelos, se apaixona e...Bom, aí você precisa ver o filme.

Há um quê de Holly Golightly, de Bonequinha de Luxo, na Gabrielle interpretada por Audrey Tautou: uma mulher naturalmente elegante que reinventa sua história para sobreviver numa sociedade que, por pressuposto, não aceitaria uma órfã.

Um bom texto, o figurino e várias cenas em que a atriz aparece costurando valem a sessão pipoca. Mas para quem espera encontrar uma mulher forte cheia de motivações engajadas em libertar a mulher de roupas difíceis e looks empetecados, uma decepção. Coco não é feminista - vive às custas de "seus homens" o tempo todo -, é sim ranzinza e tem personalidade prática que, segundo mostra o filme, veio ao mundo para simplificar o modo de vestir.


Maíra Goldschmidt