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Chic já viu: em Sex and The City 2, Carrie e amigas enfrentam o mundo real (o delas)

Crise monetária? Marcas americanas com problemas nas vendas? Reforma do sistema de saúde? Nada disso faz parte do mundo de Carrie Bradshaw, a escritora e jornalista com o maior closet de sapatos do planeta. E por mais que, durante as gravações, os boatos dessem conta da falência financeira de Mr. Big, o mundo real (o nosso) não faz parte do metier das quatro amigas.

Mas nada é de graça em Sex and The City 2, que tem estreia mundial na próxima sexta-feira (28.05). Se as personagens não discutem a decadência do euro, os efeitos da crise estão por baixo da história, dos figurinos, da direção de arte, da música, do plano inicial com uma Nova York que parece coberta de cristais Swarovski (o patrocinador). E é aí que está a grande diversão da sequência.

Dois anos depois do primeiro filme (e seis do fim do seriado original), a vida das quatro está tranquila como nunca. Os grandes fantasmas do seriado já foram eliminados na primeira sequência: ou seja, todas já estão bem casadas - menos Samantha, obviamente.

Nesta segunda parte, a diversão aumenta e o quarteto ganha a versão mais gay e cafona de todos os tempos, para lucro da audiência. É como se fosse uma recriação das primeiras temporadas, quando o roteiro estava mais preocupado em fazer piadas com as próprias personagens. Mas com um figurino mais rico e personagens (bem) mais velhas, que passam todo o tempo escondendo a barriga. 

Na bolha fashionista das quarentonas, um dos grandes conflitos é como cozinhar cupcakes com uma saia Valentino vintage.  Ou como lidar com o chefe misógino, o marido insensível que comprou uma TV nova, a babá gostosa e a menopausa. Ganchos perfeitos para fazer divertir a plateia, entre um drama e outro.

Nada mais sintomático, portanto, que as quatro comecem a enfrentar problemas reais só em um mundo de fantasia, quando viajam para Abu Dhabi, no Oriente Médio. Aí é que - dentro de um hotel de luxo dez estrelas - vêm a guerra de costumes, os grandes problemas amorosos e a massagem na autoestima norte-americana, esfregando a "superioridade ocidental" sobre os árabes.

Não é de graça, novamente, que é aí a sequência em que Patricia Field, a figurinista, trabalhou com mais afinco. É no deserto que aparecem os looks mais exóticos, as compras, as labels estampadas nas camisetas, as it bags.

É lá também que o filme reflete sobre o novo mercado emergente, que está sustentando a produção americana de luxo, e as pobres árabes fashionistas, que têm dinheiro mas não mostram os looks. Agruras sociais? Nem pensar. Afinal para Sex and The City 2, em um mundo de burkas, quem tem uma Birkin é rei. Ou rainha.

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