Moda
Cris Barros abre loja no Rio, confirma linha para Riachuelo e diz que estilistas precisam ser também bons empresários
André do Val | 06.12.2010

Cris Barros vem comandando calculada estratégia de expansão de seu negócio, que chega a um clímax com a abertura da loja do Fashion Mall, no Rio, nesta terça (07.12), e com uma linha de inverno para a Riachuelo; além da recém-aberta loja no Iguatemi. Em SP, já conta com a flagship nos Jardins e uma loja no shopping Cidade Jardim.
A grife que leva seu nome, criada em agosto de 2002, é modelo de gestão neste segmento que no Brasil é muitas vezes deficiente de bons administradores. “Me defino como estilista, mas o produto vem sempre em primeiro lugar. Nenhuma marca sobrevive sem administração, não há um bom estilista que não seja bom empresário”, diz ela, citando Karl Lagerfeld, Marc Jacobs e Stella McCartney.
A estilista atribui o crescimento a seu foco em criações exclusivas. “Mesmo produzindo um volume maior, não queremos perder as formadoras de opinião. Por isso trabalhamos com poucas peças por coleção”, diz Cris Barros, que em edições limitadas faz no máximo dois modelos de cada peça. “Às vezes a peça nem vai pra arara, mostro direto pra cliente,” conta.
Além disso, faz girar bastante a oferta de modelos nas lojas. “Toda semana tem coisa nova. Temos um séria preocupação em não nos repetirmos”. Para isso vende, além de roupas, acessórios (sapatos, bolsas e bijoux), biquínis durante o verão e até lingerie.
Alto padrão de qualidade e o preciosismo também fazem parte desta receita. “Posso fazer peças que normalmente se inviabilizariam por conta de preços, não me imponho estes limites de desenvolvimento. Agora que crescemos temos materiais exclusivos, treinamos fornecedores com base no nosso padrão de qualidade.”
Com pontos de venda nas multimarcas Nag Nag e Tidsy, no Rio, mais um punhado de clientes cariocas que vêm a SP especialmente para se hospedarem no Fasano e comprarem na sua loja que fica do outro lado da rua, Cris Barros diz que a abertura da loja na cidade foi uma necessidade. “Não queremos perder a mão na qualidade, então damos passos pequenos.”
Ela confirma o contrato com a Riachuelo para uma coleção de inverno, nos mesmos moldes de Oskar Metsavaht, mas ainda não pode antecipar os detalhes. “Não é uma coleção popular, é Cris Barros para Riachuelo, mas quero continuar podendo explorar matérias sem limite de custo. É a oportuinidade de fazer algo mais acessível, um desafio.”
Mesmo com tanto a fazer, Cris Barros tem diminuido o ritmo para poder dar conta de tudo. “A inspiração sai de um liquidificador: você viaja, vai a uma exposição, lê um livro, assiste a um filme, conhece uma pessoa que te inspira... Minha teoria é que se ficarmos 24h pensando em trabalho, sem viajar, sem parar um minuto pra ver os amigos, você acaba emburrecendo, só enxerga o micro da coisa e para de ter ideias bacanas".

