Moda

Dona da multimarcas de luxo Magrella abre o jogo sobre a moda de Brasília e comenta a abertura do shopping Iguatemi na cidade

A cidade de Brasília completa seus 50 anos no próximo mês (dia 21 de abril) e já é considerada um dos grandes centros de consumo de moda do país. No histórico da capital federal, o destaque especial vai para a quarentenária multimarcas Magrella, da empresária Cleuza Ferreira, que foi pioneira na venda de grifes internacionais na cidade e tornou-se a grande referência de luxo da região.

Expert no quesito moda brasiliense, tanto no estilo quanto nos negócios, Cleuza recebeu a reportagem do Chic em sua loja na região Lago Sul, região nobre de Brasília, e mostrou um pouco do diferencial que a fez sobreviver em meio à concorrência da cidade, que promete crescer ainda mais com a abertura de uma filial do Iguatemi no final de março.

A filial do shopping, que faz parte de um movimento para a revitalização da área Norte da cidade, traz grandes marcas, como Louis Vuitton, Missoni, Salvatore Ferragamo, Giorgio Armani e mesmo a Burberry, que fechou as portas em SP e só vai ser vendida por lá. "Talvez eu perca um pouco de clientes no início, mas é preciso esperar para ver o que vai acontecer", comenta Cleuza. "Brasília se tornou uma metrópole e tem espaço para isso também".

Confira abaixo alguns momentos da entrevista e, juntamente com as imagens da galeria, conheça um pouco mais sobre o universo fashion da icônica loja e de seus frequentadores.



Qual o segredo para sobreviver no mercado nestes 40 anos?
Para ter sucesso nesta área da moda você precisa antes de tudo ter sensibilidade. Saber o que está se usando, as cores, estilos... Tem o lado sociológico também, que é preciso saber lidar. Sempre quis ter uma multimarcas ao invés de uma franquia, pois consigo pincelar as melhores grifes e vender somente o que tem o perfil da minha cliente. Brasília sempre foi ligada a moda e hoje vejo que o mundo descobriu Brasília. Há um poder aquisitivo muito alto por aqui, então as pessoas buscam produtos de qualidade e sabem que sempre vão encontrar na Magrella.

Qual a diferença entre a brasiliense, a paulista e a carioca?

As mulheres de Brasília estão, dia e noite, bem arrumadas. Gostam de comprar peças boas e joias, e podem usá-las tranquilamente. Se beneficiam pois ainda não há tanta violência na cidade. Em São Paulo, usa-se bastante peças de moletom e plush em momentos mais despojados, em Brasília esse tipo de peça não vende. Até tentei fazer há um tempo uma coleção na Magrella só de moletons, mas as consumidoras não aprovaram... Da mesma forma fazem com bermudas e short-saia. Já as cariocas têm mania de usar vestidos longos, seja no verão ou inverno, outro tipo de moda que não vemos por aqui.

Como você faz para atrair as suas clientes?

Quase todo mês há festas em Brasília e a procura por novos produtos geralmente aumenta nestas ocasiões, então me preparo de acordo com elas. Por exemplo, todo ano em março há uma festa temática feita pela decoradora Moema Leão que já virou tradição. Este ano o tema escolhido é preto e branco, então separei um espaço na Magrella só com roupas dessas cores, de diversas marcas e que agradam todos os gostos. Além disso, tento facilitar a vida das minhas clientes: exponho as novidades que chegam toda semana nos manequins, troco a decoração e a disposição das peças pensando nelas.

Quais as marcas que mais correspondem às necessidades da capital?

Há marcas que sempre fazem sucesso, como as nacionais Le Lis Blanc, Ricardo Almeida, Talie NK, além das internacionais Armani Jeans, Marc Jacobs e Pucci. Mas viajo bastante, tanto no Brasil quanto no exterior, em busca de novidades que tenham antes de tudo qualidade, não somente etiqueta. Nesta coleção trouxe a 284 para Brasília e já deixei um espaço na loja para as peças. Uma grife que amaria vender é a Chanel.

Você investe também em estilistas
internacionais menos conhecidos?
Como fazemos muitos pedidos pela Internet, depende muito da taxa de importação, que geralmente é de 110%. Mas damos espaço para marcas menores, como Oreon, Voon, e vendem super bem.

Como a inauguração do shopping Iguatemi pode te afetar?

Talvez eu perca um pouco de clientes no início, por ser uma novidade com muitas lojas bacanas, mas é preciso esperar para ver o que vai acontecer. Brasília se tornou uma metrópole e tem espaço para isso também. A concorrência direta comigo aumentou há mais ou menos quatro anos e desde então mudamos totalmente o nosso posicionamento com o cliente. Não acredito em cliente fiel, existe cliente fidelizado. Então temos uma gerência que entende bem de varejo e importação e compramos marcas que tenham o estilo Magrella. Essa mistura nos um retorno bom, temos consumidoras que gostam do nosso estilo, independentemente das marcas.

A jornalista viajou a convite do Claro Park Fashion

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