Moda
Empresário Paulo Borges e estilista Ronaldo Fraga comentam a movimentação para inserir a moda como foco do MinC
André do Val, em Brasília | 10/03/2010 em BrasíliaEm Brasília para cobrir a movimentação do Claro Park Fashion, o Chic tomou conhecimento da pré-conferência do Setorial de Moda do Ministério da Cultura, projeto que visa não só tratar o setor como instrumento de geração de emprego e renda, mas passar a contemplar o valor criativo do segmento e assim fomentar sua produção e direcionar verbas ao setor.
A notícia é, claramente, recebida com empolgação por vários elos desta cadeia, mas sabe-se que o processo é lento e ainda deve demorar até que sinta-se mudanças significativas. “Começamos a discutir o assunto com o então Ministro da Cultura Gilberto Gil e a conversa segue agora no mandato de Juca Ferreira, este é um plano de governo para os próximos dez anos, uma política de Estado para incluir a moda neste plano nacional de cultura”, explica o empresário Paulo Borges, da Luminosidade, que dirige a SPFW e o Fashion Rio.
No entanto, para o estilista mineiro Ronaldo Fraga, também presente no encontro, o projeto já avançou muito. “Estamos caminhando para um cenário em que as pessoas percam este preconceito em reconhecer o alcance da moda como a música, o teatro e outras manifestações culturais”.
Ronaldo Fraga explica que no futuro, se tudo der certo, devem ser trabalhados os pilares no que se refere ao registro da história da moda no Brasil, como acervos, museus, livros, exposições, arquivo multimídia. Assim como a formação técnica de profissionais, projetos que diminuem a distância entre centros produtivos e as marcas e ainda debates sobre moda e cidadania. “No início vamos defender as bases das leis que passam a incluir a moda como elemento de cultura”, avisa.
Estavam presentes no encontro também os estilistas Melk-Zda (PE) e Luciana Galeão (BA), representantes da Sintecal (Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos), Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil), Abest (Associação Brasileira dos Estilistas), da Embracult (que promove os eventos Rio Moda Hype e Babilônia Feira Hype) e organizações acadêmicas.
“Mas havia outras pessoas muito mais ligadas à cultura do que a moda em si. Achamos importante trazer outras pessoas ligadas ao setor produtivo da moda nos próximos encontros. Senti falta de imprensa de moda e de outros estilistas, tinha pessoas que não tinham nada a ver com o assunto porém estavam ali defendendo seus pontos de vista”, convoca Ronaldo. Sabe-se que o estilista cearense Lino Villaventura não pode vir por conta de problemas de coluna, e Oskar Metsavaht, da Osklen, também havia sido convidado, mas não compareceu.
Paulo Borges diz que volta a Brasília para a conferência propriamente dita que acontece na sexta-feira (12.03) e no sábado (13.03). Neste encontro estarão dez delegados de cada setor. O assunto deve esquentar mesmo entre abril e maio, quando acontecem os seminários de cada setor. O projeto ainda passa por votação no Senado Federal para eleger a Lista Tríplice, destes três nomes um é apontado como membro do Conselho de Cultura. Só depois é que vai-se discutir a distribuição de verbas e benefícios via leis de incentivo.
O boato que circula em Brasília é que Paulo Borges não teria sido indicado como delegado, e por conta disso negado o apoio dos eventos que dirige. Ele nega em conversa por telefone com o Chic. “É uma mudança de mentalidade do governo que beneficia a todos. É preciso primeiramente inserir a moda neste planejamento estratégico, uma vez feito isso é pra sempre!”, atenta.
