Moda

Fashion Business e Rio-à-Porter: há espaço para duas feiras de moda na mesma cidade?


Até a última edição do Fashion Rio, em junho de 2009, só uma bolsa de negócios de moda tinha lugar ao sol escaldante do Rio. Mas entre 10 e 13 deste primeiro mês do ano, duas delas aconteceram simultaneamente, na época do Fashion Rio. A julgar pelos números divulgados, tudo anda às mil maravilhas: o Rio-à-Porter, que é a feira da semana de moda carioca, e o Fashion Business, da Dupla, de Eloysa Simão, anunciaram crescimento em vendas e visitas.

Na única feira que aconteceu na edição do inverno em 2009, o número de expositores era 150. O de compradores nacionais convidados, 200, e o de vendas, R$ 376 milhões. É o milagre da multiplicação: o RaP teve "169 expositores de todo o Brasil; 480 compradores nacionais e internacionais convidados pelo evento e gerou R$ 526 milhões em negócios". O FB diz ter exposto 220 marcas a 519 compradores vips e ter vendido R$ 550 milhões.

Haja moda

Os números são realmente animados. Ainda mais se se considerar o calor que fez nesses dias: a sensação térmica era de 50º. Sem BTUs capazes de combater o ar quente, o RaP se transformou em uma sauna. "Cinco clientes desistiram. Marcaram de visitar o showroom em São Paulo, mas corro o risco de perdê-los", lamentou Vinicius Dzenk, gerente comercial de Victor Dzenk.

Não foi o único. Ao menos seis expositores ali viram de três a dez clientes recuarem no domingo (10.01). "Ninguém podia prever esse calor e não houve tempo para refazer o sistema de ar", explicou Paulo Borges, diretor do evento. O FB não ficou muito atrás. Depois de ouvir de seis compradores um sonoro "está muito quente, volto depois", Gisele Dahis, diretora comercial da Enjoy, mandou buscar três ventiladores.

Apesar dos contratempos, todos os expositores ouvidos pelo site nas duas feiras se disseram contentes. "Abri três novas praças e tirei 70 pedidos", disse Vinicius. "Atendi 22 novos clientes em dois dias", contou Gisele.

Por que aqui e não ali?
O Rio-à-Porter é a feira das marcas bacanas; o Fashion Business é para fechar vendas. "Aqui no FB consigo atingir cidades onde não temos representação", afirmou Luiz Romano, gerente de multimarcas da Maria Filó, que atingiu a meta de vendas já no segundo dia. "Escolhemos o RaP por uma questão de posicionamento de marca. Temos planos de desfilar e queríamos estar perto da Espaço Fashion", disse Claudio Santos, gerente comercial da Dress To.

O preço do m2 ajuda a comprovar a pronta rotulação. A Bee, que prepara sua volta ao mercado, pagou R$ 15 mil por 40 m2 no FB. A Dress To, por um pouco mais de chão, tirou do bolso R$ 39 mil. As compradoras concordam. "O desfile de expositores do à-Porter foi mais legal. Mas o Business é mais bem preparado para os negócios", opinaram em coro Maria Luisa Omena, dona de loja em Maceió (AL) e Maisa Uemura, dona de três lojas em Dourados (MS).

Versus
Foi em abril de 2009 que a Firjan dispensou a Dupla e colocou a operação do Fashion Rio nas mãos de Paulo Borges. Eloysa tratou de carregar consigo o Fashion Business. O RaP, nova feira oficial, anunciou a data em que faria o evento e o desfile de expositores primeiro. O FB fez a sua feira e o seu desfile nos mesmos dias e horários. Mas saiu na frente ao anunciar, logo no dia 13.01, que o Business passará a ter quatro edições anuais; a segunda deste ano agora em maio.

A briga é das boas, mas velada, que todo mundo anda civilizadíssimo no pequeno mundo da moda. Botando fé nos números, porém, dá para arriscar uma terceira bolsa de negócios por ali, hein?
 

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