Moda
No ritmo da Bahia, estilista Vitorino Campos vem conquistando seu espaço na moda brasileira
André do Val | 01.09.2011

O estilista Vitorino Campos já foi apontado inumeras vezes como um nome promissor moda brasileira, porém ainda está dando passos pequenos para não tropeçar no próprio hype. Ele já desfilou no Rio Moda Hype (Rio) e no Dragão Fashion (Fortaleza), mas ainda se mantém em Salvador (BA) e antes de se deixar levar pelo brilho das passarelas e de uma possível projeção internacional, ele pretende estruturar bem sua marca.
“Não estou participando de nenhum evento de moda atualmente, houve uma queda em Salvador deste tipo de ação, e ainda estou estudando se vale a pena desfilar em outras cidades. Também não penso em abrir loja própria ainda, meu foco é estruturar a fábrica e a produção, minha marca tem apenas dois anos e meio, preciso de um alicerce antes de tudo”, defende.
Exportar então, é um plano que deixa para 2012. Ele acaba de se associar a Abest (Associação Brasileira de Estilistas) e diz que tem tido bom apoio para planejar este próximo passo.
“Da faculdade você não sai estilista, foi a convivência na fábrica que me deu experiência. Não diminuindo o que se aprende na sala de aula, mas todos precisam frequentar o chão de fábrica para saber como se comporta o tecido”, defende ele, que se formou em 2009 em Design de Moda, em Salvador, e cresceu entre o ateliê da tia e a fábrica de fardamentos da mãe.
Hoje conta com uma equipe de 12 pessoas, entre costureiras, passadeiras e modelistas. “Porém, achar este tipo de mão de obra qualificada é complicado, no Brasil inteiro!”, diz. “Antigamente o ofício das costureiras se passava de mãe pra filha; hoje todo mundo compra pronto, em loja, não procuram mais costureiras, então o ofício se dispersou. Por isso montamos uma equipe e treinamos, para atender a nossa demanda.”
Ainda assim, Vitorino pode ser uma novidade da moda Made in Bahia. “A Luciana Galeão tem seu trabalhos com mosaicos e a Marcia Ganem tem seu olhar para as fibras. Ambas têm trabalhos lindíssimos, mas são completamente outra linha. Sinceramente não vem ninguém da moda baiana na minha cabeça que posso citar como inspiração”.
Vitorino Campos trabalha com duas linhas, chamadas Vitorino e a Vitorino Campos, a primeira com uma grade maior de tamanhos e opções de cores, a segunda com produção reduzida para garantir sua exclusividade. Ambas com a mesma preocupação em qualidade e acabamento, segundo ele.
Suas peças estão à venda em SP na loja Choix, na Galpão de Estilo, em Salvador; na Dona Coisa, no Rio; Maison Adom, em Recife; e em Brasília, na Porto Kerteszi. “Nas cidades litorâneas pedem mais as roupas de bases naturais, com mais frescor, que são levemente mais despojadas mas sem perder a sofisticação. Em SP funciona melhor a parte mais exclusiva, como o vestido com cinco camadas de organza de seda no forro, mais trabalhoso de fazer. Os preços são a partir de R$ 4 mil.

