Moda
Tricô é tendência forte para o inverno 2010; saiba quais são os nomes a se prestar atenção
Victória Marchesi | 12/03/2010No balanço da temporada de inverno 2010, Gloria Kalil diz que que o tricô é uma das maiores apostas da estação. Por conta disso, e pela confirmação nas passarelas internacionais, fomos atrás de nomes expressivos neste segmento a se prestar atenção como Raquel Takaoka, Eduardo Mahfuz Toldi e Helen Rödel, além do brasileiro radicado em Londres Lucas Nascimento, que agradou com seu desfile de estreia no Fashion Rio.
Os especialistas contam a seguir um pouco de como escolhem os fios, suas misturas e as técnicas de tecimento de acordo com a estação, além de particularidades de suas criações. Veja na galeria ao lado as peças de cada um deles.
Raquel Takaoka
Aprendeu a tricotar ainda pequena, comprou sua primeira máquina de costura na adolescência e se apossou da garagem da casa da mãe para começar sua produção de roupas. Desde 1986, o improviso deu lugar a Profile, que hoje conta com fábrica e showroom em São Paulo (a lista completa das multimarcas revendedoras pode ser encontrada no site).
“Trabalho com tricô porque é artesanal, tem o toque das mãos, paixão desde criança, sempre adorei”, diz Raquel. Segundo ela, no início da carreira todo o trabalho de produção era manual, mas hoje em dia o tecimento é industrial e os toques finais são feitos à mão. E essa não é a única diferença: “Hoje o mercado pede variedade, trabalhamos com mix de vários fios. No começo era só algodão e acrílico”.
Raquel explicou que apenas 30% da coleção de inverno 2010 têm mais cara de inverno e que, mesmo sendo feita com lã, é mais fininha, com pontos miúdos, e sempre misturada a outros fios. “Inverno aqui é quente, então adaptamos tudo que está rolando ao nosso clima. Viscose, algodão, bambu. São as tendências lá de fora com o clima do Brasil”, conta. A saber: textura fininha ou tramas mais grossas dependem tanto do tamanho do ponto quanto da espessura do fio.
Profile
r. Bandeira Paulista, 1.163, Itaim, São Paulo -SP
tel. 11-3845-1235
www.profiletricot.com.br
Helen Rödel
Apesar de nova no ramo, Helen Rödel já ganhou fama com seus crochês. Junto com seu marido Guilherme Thofehrn, ela toca desde 2007 a Rödel LA, sediada em Porto Alegre. Apesar de se destacar pelo trabalho com crochê, a marca deu espaço generoso ao tricô neste inverno.
“Tenho equipe muito forte em crochê, mas é coisa de ocasião. Agora estou trabalhando com lã de ovelha, então faço mais tricôs porque no crochê ficaria muito grosso: o tricô come menos fio, rende mais e é mais rápido”, explica a estilista, que, ao contrário da maioria, só faz suas peças à mão. “Tricô é só a mão. Já fiz com máquina, mas nesta coleção estou fazendo somente à mão de novo, trabalhando com agulha circular”, contou. E esse manual toma tempo: cada peça leva cerca de uma semana para ficar pronta!
Outra vez na contramão, Helen não costuma mesclar fios diferentes na mesma peça. “Às vezes mesclo cores do mesmo fio, mas não tipos diferentes de fios. Trabalho muito com cores e as cores ficam diferentes em fios distintos”, explicou. Apesar de gostar dos fios naturais, ela diz não abrir mão dos sintéticos: “Só eles dão luminosidade e bom caimento”. Assim, neste inverno, a lã de ovelha divide as agulhas com sintético mais fino, 100% poliamida, em pontos miúdos.
Por enquanto, a marca só tem pontos de venda em Porto Alegre, mas ainda neste primeiro semestre de 2010 chega à São Paulo na loja da Fernanda Yamamoto e na Ellus and Guests do shopping Cidade Jardim.
Rödel LA
r. Mostardeiro, 374, Moinhos de Vento, Rio Grande do Sul - RS
tel. 51-3024-0426
www.rodel-la.com
Eduardo Mahfuz Toldi
Com 24 anos, o economista Eduardo Mahfuz Toldi largou o mercado financeiro para lançar a marca de tricôs E.Grey e assumir o que sua genética já gritava há tempos, visto que sua mãe trabalha com isso há mais de duas décadas. “O tricô tem que ser pensado desde a escolha dos fios. Com o mesmo fio dá para fazer mais de 30 mil coisas diferentes, é muito rico”, conta.
Na sua primeira coleção, o inverno 2010, ele foi buscar referências na Patagônia, ao Sul da América do Sul. Desta experiência saíram os contrastes das peças. “Fiquei nos extremos, com fios e pontos grossos, mais quentes (como acrílico com poliamida, tipo lã falsa, feita com a máquina mais grossa) e fios mais finos, em pontos miúdos feitos com viscose, que é mais leve”, explica. E na E.Grey, nada de produção à mão: lá o processo mais manual que existe é a operação das máquinas.
A marca tem pronta-entrega em São Paulo e, a partir de maio, as peças estarão à venda na loja da estilista Lia Souza, no Jardins. “Sinto que a economia e a experiência nos bancos foram fundamentais para viabilizar esse projeto, que, além de uma paixão, é também um negócio”, diz Eduardo. “Não penso em exportação porque o mercado nacional é muito grande e deve ser explorado”.
E. Grey
r. Augusta, 2.516, Jardins, São Paulo - SP
tel. 11-3082 6505
www.egrey.com.br
Conheça também o tricoteiro hype Lucas Nascimento
