Novela

Lado a Lado: peças envelhecidas convivem com as rendas e chapéus da aristocracia na nova novela das seis

Tem novela de época nova na área. O Rio de Janeiro do início do século 20 é o cenário de Lado a Lado, nova atração das seis da Rede Globo, que estreia nesta segunda (10.09).

A trama central gira em torno de duas personagens totalmente diferentes: Isabel (Camila Pitanga), que é descedente de escravos, e Laura (Marjorie Estiano), filha de aristocratas da Belle Époque brasileira. Enquanto retrata a cidade com influências da Europa e uma época pós-libertação dos escravos, da criação do samba e do começo da luta feminina por liberdade individual, a novela confronta os dois mundos: o luxo e o poder dos casarões versus o nascimento da primeira favela. Destes dois núcleos surgem figurinos bem diversos que identificam as personagens.

Para recriar a época, a figurinista Beth Filipecki montou com sua equipe um acervo com cerca de 900 peças. Cores, formas, texturas e volumes distinguem as classes sociais. “Figurino de época é muito elaborado. Mas é uma grande oportunidade para mostrarmos a técnica, o sentimento, a qualificação de nosso trabalho”, diz Beth.

Para os ricos, o que era moda na França e na Inglaterra também fazia sucesso entre o povo por aqui. Para as mulheres, um fino acabamento, acessórios, cores leves e muitas flores em organza e seda - combinando com a tendência atual das candy colors. Para deixar a roupa luxuosa, usava-se muito linho e tecidos finos. Já os homens, mesmo com o forte calor do Rio, optavam por  tendências vindas da Inglaterra, como ternos em lã. “Era preciso estar bem vestido para se fazer bons negócios. E homens que usavam chapéus eram sinônimos de homens que pensavam, que tinham poder”, explica a figurinista.

O figurino feminino das altas classes era composto por diversas camadas de roupas, fazendo com que a mulher mudasse sua postura, ficasse com o corpo mais firme. Para adotar esse visual chique, elas usavam luvas, chapéus com muitas ornamentações, sombrinhas e, nos pés, calçavam botinhas. As mais pobres ambicionavam ser como as mais abastadas e copiavam suas roupas, mas com uma costura mais simples.

Constância, personagem de Patrícia Pillar, é o exemplo de um figurino mais sofisticado, mais elegante e com mais leveza. Os vestidos da atriz foram feitos com  muitas rendas, em cores claras, com transparências. “Usamos muitos tons de azul e hortênsia para a Constância. Queremos que ela transmita um ar de pureza, quase angelical. Estamos trabalhando com metáforas sobre cor”, revela Beth.

A jovem Laura (Marjorie Estiano) é uma moça de atitudes modernas e seu figurino acompanha isso. “Ela usa casacos em tons mais escuros, coisas que uma moça daquela época jamais usaria”, diz Beth.

Para o elenco do núcleo pobre, a equipe do figurino trabalhou  bem as roupas para que as peças carregassem  informações, parecessem gastas, velhas, muito usadas. Para isso é necessário um tinturamento especial, um envelhecimento e um desgaste. As mulheres dessa classe social ousavam mais nos decotes, suas roupas eram como panos amarrados ao corpo, recosturados, emendados. Nos pés, dificilmente usavam sapatos.

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