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Um acontecimento
A primeira performance da história do Fashion Rio foi feita hoje de manhã pela paulista Karlla Girotto. Cinco camas gigantes, enfileiradas no gramado, tinham, cada uma, uma modelo deitada. No final elas acordaram, se levantaram e saíram de cena. Estavam de vestidos com volumes anos 50, super femininos e todos com personalidade e irreverência. Um lindo tomara que caia balonê com pluminhas na barra é feito de camisas desbotadas.
Nesta estação Karlla, que já foi figurinista e que um dia pensou fazer faculdade de artes plásticas em vez de cursar moda, não estava muito afim de representar o papel tradicional da estilista. Não questionou ou propôs uma nova modelagem para seus vestidos. E não estava, assim como na estação passada, no espírito de apresentar uma coleção com passarela e luz – nos moldes estabelecidos pela indústria, desde Worth e Poiret, no começo do século passado. "Levamos dois mil anos para questionar o teatro e apenas cem anos para questionar a forma dos desfiles de moda", afirmou ela hoje, durante a performance que durou três horas, de 9h às 12h. "Um desfile hoje é feito para virar uma imagem bidimensional. É feito para os fotógrafos. Isto aqui é uma pausa, que não desvaloriza ou desmerece os tradicionais desfiles, apenas propõe uma reflexão para, assim, valorizá-lo", conceitua ela.
Roupa se vende na arara – e, assim, as roupas de Karlla saíram direto da performance para o seu stand no Fashion Business. Mas sem a "magia" dos desfiles o Brasil nunca teria descoberto Karlla Girotto.
Alexandra Farah
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